A poesia e o espanto

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(Arlete Gudolle)
Seguidamente me perguntam por que ainda não escrevi um livro de poesias e de onde tiro a inspiração para escrever. Para responder, valho-me da pergunta feita a Ferreira Gullar, um dos mais notáveis poetas modernos: Se pudesse viver só de poesia, faria isso? Resposta dele: “Não. A poesia é algo incontrolável. Se alguém vive de poesia, ou morre de fome ou começa a escrever bobagens porque não é fácil assim. A poesia, como vejo, nasce do espanto, de alguma coisa que surpreende e que você tem necessidade de comunicar aos outros. É uma experiência de vida especial, não acontece todo dia. Isso é o que move o poeta a escrever. Sem isso, é possível até manusear bem as palavras, mas o poema fica vazio. É meu caso”.

As palavras do poeta têm relevância em minha trajetória como leitora e buriladora de palavras. Por não ter o talento de Gullar e nem a capacidade de me espantar, contento-me em ver publicados meus humildes versinhos nas páginas de Zero Hora e venho me esforçando para dar vida a um novo livro. Posso afirmar que os poemas e contos já nascem prontos, brotam do nada como se estivessem se divertindo com minha velocidade de pensar. Se não os oficializo em letras assim que surge a inspiração, esboroam-se, desaparecem de meu imaginário, negando-me a felicidade da autoria. Ultimamente, talvez por tantos acontecimentos inesperados que me afrontam a vida, haja perdido o gosto de escrever. Fico remoendo assuntos, o que poderia agradar aos leitores, se é que alguém lê o que escrevo…