Agradecer é preciso

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(Arlete Gudolle)
Nos dias ociosos vividos na quarta internação hospitalar para tratar os mesmos problemas de saúde (rinite, sinusite, bronquite com tosse e asfixia), tenho a sensação de que estou caminhando numa estrada que me leva para o mesmo lugar. Passo semanas no hospital. Retorno para casa. Vivencio alguns meses saudáveis. Por algum motivo, males que me afligem retornam com maior intensidade. Virou um ciclo, otimista que sou, espero que reversível. Aproveito o ócio para repensar conceitos, errar menos, amar mais, valorizar a quem merece e me redimir com quem feri ou magoei. Mais que tudo, agradecer a quem me ajuda sem o interesse da recompensa. Por isso, o texto de hoje, com a tua permissão, querido leitor, encantadora leitora, dedico a duas pessoas muito especiais.

Agradeço ao César Augusto, meu marido, que tem me acompanhado nessa saga resignadamente. Dorme mal, alimenta-se mal. Imaginem um homem alto dormindo num sofá que apenas lhe acolhe o corpo durante muitas noites e sem tecer qualquer queixa? Mesmo com problemas físicos e estando resfriado, dirigir-se a vários locais para pagar minhas contas ou retornar ao lar e realizar, sozinho, atividades que sempre compartilhamos? É-me imperioso agradecer também ao meu filho Vinícius que passa manhãs e tardes comigo, leva e trás objetos, tenta adivinhar o que preciso. Sei o quanto é difícil acompanhar alguém em hospital. Os dias não têm fim, as horas se arrastam, os assuntos se esgotam. Com a ajuda deles, encontro forças para não esmorecer.