Ser feliz sempre

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(Arlete Gudolle)
Ser feliz é genético, mesmo que tudo compactue para evidenciar o contrário. Não necessito de muita coisa para sentir felicidade. Encanto-me com os amores-perfeitos que, emurchecidos pelo tempo e a chuva, teimam em renascer todos os dias. Aguardo com ansiedade o canto dos pássaros que me saúdam na janela ao amanhecer. Abro bem os olhos para me deliciar com a dança frenética do beija-flor, que procura novas flores para retirar-lhes o alimento e fecundar novas vidas. Extasio-me com o tamborilar da chuva, que me desperta, mesmo que as altas horas rondem a noite e o frio persista. Minha alma pagã saltita de alegria quando me deparo com alguém que ainda responde ao meu bom-dia, ou, ao parar na faixa de segurança, anda que o passante trafegue bem devagar, sorri agradecido pela gentileza obrigatória.

Morro de rir de tão feliz, ao ler, no Watts, palavras dizendo que se lembraram de mim e percebo que tenho relevância para os amigos. E o sol se espreguiçando no horizonte? E a lua ressurgindo atrás das nuvens depois da chuva? E a moça que me cuida no hospital repete que não me esqueceu? E a música linda que ouço de graça, oriunda da janela de minha vizinha mais querida. Ah! E gargalho extasiada pela alegria, quando curtem e comentam o que escrevo ou posto neste espaço? Não são motivos relevantes para eu ser feliz? Só de saber que tenho incontáveis motivos para sorrir e até para chorar, apregoo que felicidade existe. Nas fases ruins, basta olhar a vida com o olhar enternecido do coração.