Se reinventar é preciso

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“Nenhum hospital do mundo está preparado para extrapolar sua capacidade”

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SANTIAGO – Nunca antes a caneta de um prefeito pesou tanto em Santiago. A responsabilidade de comando virou missão mais difícil nas últimas semanas. E o prefeito Tiago Gorski teve que tomar uma série de decisões que mudaram a rotina de todos. Em entrevista à rádio Nova Pauta, disse o seguinte:

“Sou como um clínico geral e ele é
nosso especialista na linha de frente”.

O prefeito acredita que, como se trata de uma crise da saúde pública, é preciso ter o foco nessa área. E comenta da sua sintonia com o secretário Éldrio Machado. “Gostaria que essa nossa parceria se replicasse também no Governo Federal”, comentou. Segundo ele, a Secretaria de Saúde se tornou a principal do município e as decisões do secretário são feitas em conjunto. “Sou como um clínico geral, ele o especialista. É a autoridade máxima na linha de frente”, comentou.

Tudo (quase) em ordem

O prefeito diz que não se pode comparar os números de Santiago com o de municípios maiores, como Bagé, que registra muitos casos da doença. Em Santiago, existe um planejamento, um nível de controle nas doações de alimentos, no monitoramento das estradas etc. A capacidade hospitalar está pronta para ser aumentada, com a criação de um ambulatório no Ginasião, com o apoio do Exército.
Mas isso são ações do município. No que depende de recursos dos Governos, vieram poucos. “Sei que tem gente anunciando recursos daqui e dali, mas a única liberação de verba foi de 150 mil do Ministério da Saúde. E só”.

Preocupação com a economia

O prefeito disse que ele é a pessoa mais preocupada com a economia e que tudo reflete nos cofres públicos. “Se o empresário não vende, o comércio não gira, não há tributos, a própria Prefeitura deixa de arrecadar. E também tem os seus custos fixos”, comentou. Relatou que a tomada de decisões levou em consideração a saúde das pessoas, baseado nas recomendações do Ministério da Saúde e nos decretos do Governo do Estado. “Os EUA são a maior potência mundial. E estão piores do nós. Ou seja, não é hora de procurar culpados, mas de agir pelo bem de todos”, comentou.

Distanciamento social

Segundo o prefeito, as ações de distanciamento social tiveram efeito positivo e apesar da liberação gradual das atividades econômicas, as pessoas precisam manter os cuidados. “Temos uma estimativa de que as ações que evitaram a disseminação do vírus também evitaram em torno de 2 mil internações hospitalares na região”.

A doença virou questão política

Tiago lamenta que o combate ao coronavírus tenha virado uma “questão política” no Brasil, levando a discussão para os rumos que não deveriam. “Se eu fosse pensar em política, jamais fecharia comércio. Deixaria as pessoas trabalhando, as empresas abertas, pois é isso que as pessoas querem: poder trabalhar. Mas as nossas decisões foram responsáveis, muito preocupadas com evidências científicas. Não nos pautamos por votos ou ações eleitoreiras. Nem se vai ter eleição este ano, se vai ser adiada etc. O que fizemos foi agir”, afirmou.

Frases do prefeito
“Neste momento, o Brasil precisa menos de política e mais de união”

“É na crise que se conhece as pessoas de liderança, criatividade e bom coração”.

“Aquele dinheiro investido em obras da Copa, obras inacabadas está fazendo muita falta agora aos Estados e municípios”.

“Vivemos um momento em que as pessoas precisam priorizar as necessidades e deixar de lado os desejos”

“Depois que tudo isso acabar, vou querer dormir até 10 ou 11h da manhã para poder recuperar o tanto de sono perdido, de cansaço”.