A agonia de um manancial

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Com uma grande estiagem, quem pede água é a barragem

Santiago – Há meses vem se falando sobre a possibilidade de racionamento de água, já que não chove bem há mais de 60 dias. Com isso, o maior manancial d’água declina ao ter que matar a sede de 50 mil pessoas. A cada dia, o nível baixa. O normal é acima de 10 metros e já baixou três, faltando dois para alcançar o nível crítico. A barragem foi construída pelo Exército na década de 60 para abastecer em torno de 30 mil habitantes. Hoje a cidade passa dos 50 mil moradores e a barragem é a mesma.
De acordo com laudo da Corsan à Defesa Civil, o volume existente possibilita o abastecimento normal por mais 30 dias, sem medidas de racionamento. No entanto, a Defesa Civil já monitora e pede que desperdícios sejam evitados. Uma recomendação é que se estude a possibilidade de racionamento e multar quem for pego gastando sem necessidade, como lavando calçadas e carros.

Plano B por água abaixo
O prefeito Tiago e a equipe da Defesa Civil foram ver de perto a situação da barragem e do Terceiro Lajeado. A situação é mais preocupante do que se imaginava; o riacho também está baixo (menos de 50cm) e não há água correndo. Em 2012, a Corsan bombeou água do rio para a barragem. Toda a estrutura está montada, mas desta vez o famoso lajeado não poderá socorrer a cidade.

E o plano C?
Caso chova de 30 a 50mm, o Lajeado retorna com sua capacidade, porém precisa de chuvas constantes para manter a geração de água para abastecer a barragem. Como não há previsão de grandes volumes de chuva para a região nos próximos 30 dias, o município estuda alternativas. Uma das medidas será buscar água de açudes na região e perfurar poços artesianos ou usar os já existentes.

Terceiro Lajeado também está baixo.

O jeito será o Aquífero Guarani
“Estamos a 480 metros do Aquífero Guarani. Ou seja, com um poço artesiano de 500 metros daria vazão de 100 mil litros por hora, que é o suficiente para abastecer a cidade. Um poço desses custa 1 milhão e meio e se faz em menos de um mês”, explica o prefeito Tiago. Ele reforça a importância de economizar. “Buscar alternativa para o abastecimento é com o poder público, mas alternativa para reduzir o consumo é de toda a população”, lembra.

Sem pânico
De acordo com o gerente da Corsan, Lusardo Parize, a situação é tranquila. A Corsan garante que o abastecimento para os próximos 30, 40 dias não será afetado. Lusardo diz que o momento não é de pânico, mas sim de atenção. A equipe técnica está estudando outros métodos após saber do baixo nível do Lajeado.

Abastecimento garantido
Mesmo em meio à estiagem, a Corsan garante que mantém o abastecimento de água nas 307 cidades operadas pela companhia. O diretor André Finamor afirmou que a operação passou por diversos ajustes para manter o fornecimento de água. Entre as ações está a transposição de água em vários municípios, a perfuração de poços artesianos, o apoio de caminhões-pipa para aumentar o nível de barragens e a captação em açudes privados. Finamor pede que a comunidade faça o uso racional para evitar o desabastecimento. Há municípios há 120 dias sem boa chuva.