A transformação: de ex-gordinha a fisiculturista

Publicado por em .

Até os 15 anos, Fernanda Serres foi uma menina magrinha. Nesta idade, começou a namorar com Pedro Serres, seu marido. Os dois mantinham o hábito de comer fora, então, engordaram juntos. Quando teve a primeira filha, Fernanda já estava bem acima do peso para sua altura (1,58) e chegou aos 85 quilos. Fez uma reeducação alimentar, chegou a emagrecer e achou que estava bom. Em 2012 veio a segunda filha. Em casa, cuidando do lar e das meninas, voltou a engordar e chegou aos 90. Foi nesta época que Fernanda levou um susto. Ao treinar para uma seletiva para sargento temporário, sentiu as pernas falharem em uma corrida e caiu. O médico constatou um problema vascular (bloqueio parcial nas artérias), não comum às pessoas mais jovens. O diagnóstico: é preciso perder peso.

O perigo das dietas malucas
Fernanda começou a se cuidar, mas no final de semana jogava tudo fora, já que comia de tudo. Neste mesmo ano, 2014, decidiu oficializar a relação com o companheiro Pedro. E aí veio outro problema. Fernanda não entrou no vestido que escolheu. Começou a tomar remédio para emagrecer e a fazer dietas malucas. Realmente emagreceu. Mas foi só casar que veio o “rebote”. Engordou tudo de novo. Este período não foi fácil. Por causa do remédio para emagrecer, teve um aborto. Em 2016, perdeu duas pessoas importantes: uma tia e uma prima. “Foi aí que minha ficha caiu. Minha mãe faleceu com 38 anos por causa de um câncer. Eu não posso abrir mão de meus sonhos e tenho duas filhas para criar, que são a razão de minha vida”.

Hora de “criar vergonha”
No final de 2017, após perder peso e passar por uma cirurgia plástica para retirar o excesso de pele (ela faz questão de frisar que não fez redução de estômago) viu que estava botando tudo fora de novo e tinha chegado a hora de “criar vergonha” e procurar um profissional de nutrição esportiva. “O fisiculturismo era uma coisa que há muito tempo eu achava lindo e pensava que era muito fácil. Na primeira consulta, em uma clínica em Santa Maria, eu estava com 74 quilos e percentual de gordura em 35%, altíssimo para quem pretendia ser atleta”, conta.

Fernanda Serres tem 29 anos e é técnica em enfermagem. Pedro Serres tem 35 e é auxiliar administrativo na Agrosolo.

Dieta e treino a dois
Diante de tantas dificuldades, ela falou ao marido: “Ou você vem comigo pelo menos na dieta, ou não tem como sair dessa. Ele também estava bem acima do peso e iniciamos juntos. Foi ele quem me deu força e, em março do ano passado, fomos em um congresso em Carazinho, com a presença de grandes atletas. Foi lá que conheci a Ângela Borges, recordista mundial em fisiculturismo que me incentivou a treinar”.

Meta e muito foco
A partir daí, Fernanda definiu sua meta de vida: contratou um profissional de Educação Física e pretendia fazer sua estreia em maio de 2019. Mas, no início do ano, trocou de personal e contratou Ray Millet (de Fortaleza), referência brasileira no esporte e treinador das campeãs. Ele viu que Fernanda ainda não estava pronta para estrear, o que deve ocorrer no primeiro semestre de 2020. “Ray falou que não existe isso de marcar a data da estreia, dizendo que antes é preciso ter maturidade muscular, o que ainda estou conseguindo”, declara.

Ela come de tudo, mas segue regras
Antes da reeducação alimentar, Fernanda e o marido comiam de tudo. “A gente comia muita porcaria. Dia de semana dava vontade de comer um churrasco, fazíamos o churrasco. Em meu café da manhã ia meio litro de leite integral. Nada era regrado e nunca gostei de legumes e verduras. Ficava um período sem me alimentar e, quando ia comer, comia um monte. Agora, com orientação nutricional, eu como arroz e feijão como todo mundo. Claro, quantidade menor, tudo pesado. Minha alimentação toda é pesada e medida. Mas eu como no café da manhã 150 gramas de proteína (geralmente frango), café com leite desnatado e almoço. Antes do meu treino da tarde, uma batida de whey protein com fruta e aveia. Pós-treino, novamente é proteína com algum legume e uma porção de carboidrato. E aí vai ter um lanche da tarde às 18h. Tem mais uma refeição às 21h e se eu for dormir muito tarde ainda como outra vez. Meu treinador me liberou da dieta um dia na semana, quando posso comer de tudo até 700 calorias. É meu prêmio por tanta dedicação”.

Treinos diários e investimentos
Fernanda treina em casa e na academia 4Fit. “Treino de domingo a domingo. Acordo e faço de 30 a 40 minutos de aeróbico em jejum em casa. Na academia, musculação, mais 30 minutos de aeróbico e alongamentos. Fico na academia duas a três horas diárias. E, às vezes, o Ray pede mais um aeróbico, o que exige que eu treine em três turnos. Gasto algum dinheiro com alimentação, suplementos, academia e personal, mas vale a pena. E isso que ainda não comecei a competir, em que os valores são absurdos. Ser atleta no Brasil custa caro. Mas é uma coisa que eu quero e já estou fazendo. E, além disso, tenho o apoio do Pedro e das minhas duas filhas. Não há preço que pague por isso”. Acompanhe Fernanda nas redes sociais: instagram.com/ferserres.