As parreiras podem desaparecer do mapa

Jaguari – Novamente os produtores de uva do Chapadão pedem socorro para um assunto que o jornal aborda há três anos. As parreiras estão morrendo com o uso abusivo dos agrotóxicos, principalmente pelos que contêm o princípio ativo 2.4D. O agricultor Jéferson Guerra diz que em 16 anos de cultivo, nunca tinha visto algo assim. “No ano que vem estou pensando em desistir da uva, porque muitos pés de parreira vão morrer. Hoje eu pago para trabalhar. A pouca produção não paga nem a metade das despesas”, lamenta.

Produção comprometida
O técnico agrícola da cooperativa São José, Alexandre Maia, que também presta assistência aos produtores, explica que nesta época as plantas já deveriam estar cheias de galhos e com frutos prestes a colher. “Algumas uvas estão amarelando e outras amadurecendo à força. Com isso as uvas podem ser de baixa qualidade”, diz o técnico.

Jéferson Guerra, João Alberto Minuzzi, Alexandre Maia e o enólogo da Cooperativa, João Guasso.

Vizinhos fora da lei
O presidente da São José, João Alberto Minuzzi, relata o que já foi feito para tentar solucionar o problema. Depois de várias reuniões, palestras e uma audiência pública, a Prefeitura enviou para a Câmara um projeto de lei que restringia o uso do princípio ativo 2.4D no município. A lei foi aprovada por unanimidade pelos vereadores. “A lei ajudou bastante, mas o problema é que nas cidades vizinhas o uso continua. No Chapadão sabemos que não foi usado, só que o problema aumenta a cada dia”, diz o presidente.