Até quando as santiaguenses vão aguentar tanta agressão?

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Até quando as santiaguenses vão aguentar tanta agressão?

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No ano passado, 263 casos chegaram à Delegacia
Casos frequentes de violência contra a mulher em Santiago têm preocupado as autoridades. Quase todos os dias os relatórios da polícia trazem registros, alguns com graves ameaças. Em 2018, foram 263 casos que chegaram à Delegacia (pesquisa nacional aponta que 70% das vítimas não fazem a ocorrência), indicando que este tipo de crime tem aumentado a cada ano e é bem maior do que aparenta.

A maior violência acontece no centro
Conforme relatório da Coordenaria Municipal dos Direitos das Mulheres, dos 263 casos ocorridos em Santiago no ano passado, 113 foram de ameaças. Também ocorreram 76 com lesões corporais e 22 com perturbação da tranquilidade. Outro fato que chama a atenção é que a maioria das vítimas mora no centro (40 casos), seguidos pelas moradoras da Vila Rica (21), Vila Nova (14) e bairro Bonato (13).

Violência que só aumenta
Uma pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontou que os casos de violência contra a mulher aumentam a cada ano. As mulheres foram questionadas sobre o tipo de local onde sofreram a violência mais grave nos últimos 12 meses. Em primeiro aparece a casa (42%); depois, a rua (29%); em seguida, lugar indefinido (9%) e a internet (8%).

Violência virtual
Um dos fatores que preocupa as autoridades é a violência virtual, a que mais cresceu em um ano (de 1,2% em 2017 para 8% no ano passado). Entre as ocorrências mais comuns estão o estupro virtual (quando a vítima é coagida a produzir conteúdo sexual sob ameaça de divulgação de fotos e vídeos) e denúncias de pornografia de vingança, quando o agressor divulga vídeos íntimos das vítimas.

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Crimes virtuais
No ano passado, uma lei que alterou o Código Penal tornou crime a importunação sexual (prática sem consentimento de ato libidinoso contra alguém) e a divulgação de cenas de sexo e pornografia contra a vontade. As penas variam de um a cinco anos e, no caso da pornografia de vingança, pode ser agravada de 1/3 a 2/3 quando o agressor manteve alguma relação de afeto com a vítima.

Feminicídios assustam
O Brasil teve uma ligeira redução no número de mulheres assassinadas em 2018. Ainda assim, os registros de feminicídio cresceram em um ano. São 4.254 homicídios dolosos de mulheres, uma redução de 6,7% em relação a 2017, quando ocorreram 4.558 assassinatos. No entanto, aumentaram os feminicídios, ou seja, de casos em que mulheres acabaram mortas em crimes de ódio motivados pela condição de gênero. Foram 1.135 no ano passado, contra 1.047 em 2017.

Gaúchos entre os mais violentos
O mapa da violência no Brasil em 2018 mostrou que 15 estados contabilizam mais vítimas de feminicídio em 2018. O Acre tem a maior taxa de feminicídios: 3,2 a cada 100 mil. Na sequência estão o RS e o Mato Grosso do Sul, com duas mortes para cada 100 mil mulheres. Desde 2015, a lei prevê penalidades mais graves para homicídios que se encaixam na definição de feminicídio (que envolvam violência doméstica e familiar e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher). Os casos mais comuns desses assassinatos ocorrem por motivos como a separação.