Câncer é a doença que mais mata os gaúchos

Câncer é a doença que mais mata os gaúchos

Nos últimos dois anos, quase 100 mil toneladas de veneno foram usadas nas lavouras gaúchas, o dobro da média do país. Como resultado, o câncer é a primeira causa de morte em 140 municípios do RS. Na região Noroeste (onde ficam os municípios de Ijuí e Cruz Alta), em média, 10 agricultores são diagnosticados com câncer por dia.

Casos não param de aumentar
Conforme o Instituto Nacional do Câncer, o RS deve registrar neste ano 54 mil novos casos da doença. A estatística posiciona o Estado no quarto lugar do ranking nacional, liderado por São Paulo (141 mil), Rio (62 mil) e Minas Gerais (57 mil) como os estados com maior ocorrência dos mais diversos tipos de cânceres. Dos casos registrados no RS, 15.570 neoplasias são de pele não melanoma, 8.170 em outras partes do corpo e 6.210 de próstata. Com base em dados do Ministério da Saúde, o câncer é a principal causa de mortes em 516 dos 5.570 municípios brasileiros, ou seja, em 10% das cidades.

Câncer é a doença que mais mata os gaúchos

Veneno entre as principais causas
A Organização Mundial da Saúde afirma que 80% dos casos de câncer são atribuídos à exposição a agentes químicos. Conforme o Atlas do Agrotóxico, dos 504 princípios ativos (usados para fabricar os agrotóxicos vendidos no Brasil), um total de 140, ou 30%, estão proibidos na União Europeia. Para os pesquisadores, um dos fatores que induzem ao uso dos agrotóxicos é que desde 1960 o crédito rural obriga os pequenos produtores a usarem uma parte do financiamento para insumos químicos.

Causas comprovadas
A pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer, Márcia Sarpa Campos Mello, investiga desde 2001 as conexões entre câncer e agrotóxicos em populações rurais. Ela afirma que estudos experimentais confirmam a relação direta da exposição a esses produtos no desenvolvimento de tumores e de câncer em pessoas. “Há alguns tipos mais comuns relacionados como o linfoma de Hodgkins, um câncer relacionado ao sistema linfático. E também dados que indicam aparecimento de câncer de mama e próstata a partir da exposição contínua no ambiente de trabalho ou em pessoas que moram perto de lavouras que usam esses agrotóxicos”, afirma.