Cheiro de notícia

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(Márcio Brasil)

O cheiro é algo que provoca sensações, toca nas lembranças. Pode ser cheiro de comida, de flor, do que for. Eu gosto é de cheiro de papel-jornal. Gosto como profissional de imprensa, mas já gostava quando era criança. É que os gibis que colecionava eram justamente impressos em papel-jornal. Na adolescência, trabalhei como office boy no escritório de contabilidade de minha madrinha Angélica, que assinava e comprava A Razão e ZH. E foi ali que aprendi a gostar de ler jornal. Os anos passaram e trabalhei mais tarde no jornal Expresso Ilustrado. Sexta-feira passou a ter cheiro de jornal.

E eu gostava do que significava. Tive, algumas vezes, a oportunidade de acompanhar a impressão na gráfica, o que equivalia a entrar na cozinha do seu restaurante preferido e ver o ápice na magia da mistura dos ingredientes. Hoje os jornais se comunicam também pelo meio digital (quem sabe futuramente até holográfico, sei lá). Mas o charme pra mim não é deslizar o dedo na tela touch screen, mas folhear o papel. Tem algo mágico nisso, diferente. Não só pelo charme do jornal em si, mas pela sistemática da coisa. Como hoje o Correio só traz boletos e não mais cartas, reforço minha confiança nos entregadores de jornal. Esses ainda trazem as boas novas, as boas histórias, na moda velha, tradicional. Até acesso notícias em sites e apps. Mas, diferentemente de um jornal, não combinam tão bem com o chimarrão ou o café.