Como a cidade vai se virar sem a médica cubana?

Como a cidade vai se virar sem a médica cubana?

Augusto César Brasil.

Nova Esperança – Nesta sexta, 30, é o último dia de trabalho da médica Yelena Roquero Mayer, no ESF Central. A cubana precisará deixar o trabalho, já que o governo de Cuba rompeu o contrato do Programa Mais Médicos. Yelena deve ir a Cuba, rever a família e voltar, já que está casada com um nova-esperancense.
Conforme o secretário de Saúde, Augusto César Brasil, Nova Esperança perde muito com a saída dela, uma médica exemplar e atenciosa. “Ela não teve a oportunidade de fazer o Revalida neste ano, por isso, precisa sair. A expectativa é que no início de dezembro um novo médico assuma o ESF Central porque já existe um inscrito para trabalhar aqui. A demora será de apenas alguns dias”, observa o secretário.

Outros médicos
Além do novo profissional que atenderá no ESF Central, o município tem a médica Karine Peixoto (ESF Vila Nova), e os médicos Segatto e Jones atendendo na policlínica, de segunda a sexta. Nos finais de semana e feriados, o atendimento é feito por outros três profissionais, em regime de plantão.

Economia que se transforma em serviços
O secretário Brasil diz que, em 2018, o município conseguiu reduzir em 8% os gastos em saúde (gastou 28% em 2017, enquanto o previsto em lei é de 15%). “Apesar de gastarmos 20% agora, isso não significa prejuízo ao usuário do SUS, já que todas as consultas e exames foram mantidos, assim como aumentado o número de exames.

Pacientes de fora
Nova Esperança também recebe muitos pacientes de outros municípios (a divisa com São Francisco fica a 5km), que são atendidos normalmente. “As consultas são universais e não se pode negar a ninguém”, diz Brasil. Já as consultas de média e alta complexidade são encaminhadas para Santiago ou a outros centros de referência, como Santa Maria, Cruz Alta e Porto Alegre.

340 mil apenas em ordens judiciais
Hoje mais de 40 pacientes são transportados diariamente para outros municípios para consultas e exames, a maioria em Santa Maria. Desde 2014, o Estado deve ao município, uma conta que já chega a 700 mil. “Lutamos com as armas que temos e ainda vivemos um momento bom, graças às emendas parlamentares. Em 2017, gastamos mais de 340 mil apenas em ordens judiciais para a compra de medicamentos”, informa o secretário.

Como a cidade vai se virar sem a médica cubana?

Segatto.

A saída de Segatto
Conforme o secretário, a saída do médico Segatto gerou um tumulto. “Mas, na verdade, as pessoas perceberam que foi mais um tumulto político-partidário. O que ocorreu é que recebemos um aviso do Tribunal de Contas em relação ao número de horas. O dr. Segatto é um homem que tem o município inteiro necessitando dele há muitos anos. Precisava atender no ESF e na empresa a qual presta serviços. Como o contrato previa um determinado número de horas, ele não conseguia cumprir. Foi encerrado o vínculo e trouxemos uma nova médica. Felizmente, o dr. Segatto participou de um processo seletivo para plantonista e foi aprovado, voltando a trabalhar conosco”, explica Augusto Brasil.