De cada três mortes, uma não é elucidada

De cada três mortes, uma não é elucidada

O Anuário Brasileiro de Segurança mostrou que das 3.022 mortes violentas no RS em 2017, 1.046 ainda não foram elucidadas, o que representa 34% do total. O Estado fica atrás apenas de São Paulo, que no período registrou 2.202 mortes sem resolução. Conforme o chefe de polícia Émerson Wendt, dos casos resolvidos, 80% referem-se ao tráfico de drogas, 75% das vítimas têm antecedentes e 45% delas já passaram pelo sistema prisional.

Sete brasileiros são mortos por hora
O Brasil atingiu em 2017 o maior número de homicídios e latrocínios da sua história. Foram 63.880 vítimas, o equivalente a 175 por dia, sete por hora. O Rio Grande do Norte é o mais violento, com 68 vítimas por 100 mil habitantes, seguido pelo Acre (63,9) e Ceará (59,1). As menores taxas foram constatadas em São Paulo (10,7), Santa Catarina (16,5) e Distrito Federal (18,2). Outros crimes também registraram alta. As mortes decorrentes de ações policiais chegaram a 5,1 mil, crescimento de 20% em relação a 2016. Os casos de estupro chegaram a 60 mil no ano passado, alta de 8,5% em relação a 2016.

Empresas poderão doar à segurança pública
Os deputados gaúchos aprovaram a criação do Programa de Incentivo ao Aparelhamento da Segurança Pública, que permite a empresas deduzirem até 5% do ICMS para comprar equipamentos aos órgãos de segurança pública. No caso de uma pessoa jurídica que tenha um milhão de ICMS devido, pagaria 950 mil em impostos, enquanto os outros 50 mil seriam usados na compra de viaturas, armamento, munição ou câmeras de vigilância. Pela lei, a empresa também terá que doar outros 10% do valor deduzido. Para o mesmo exemplo, isso representaria uma doação de 5 mil para o Fundo Comunitário da Segurança Pública.

Casos de estupros também aumentam
O Brasil registrou 60.018 estupros, 164 casos por dia, no ano passado. O número representa um crescimento de 8,4% em relação a 2016, mas não é possível saber a variação relativa, já que este é o primeiro ano que o Fórum Brasileiro de Segurança Pública apurou dados dessa natureza em todos os estados. Especialistas acreditam que o número seja ainda maior, pois muitos casos nem chegam à polícia.

De cada três mortes, uma não é elucidada

Imagem ilustrativa.

Os presídios estão lotados
O Estado está perto de atingir a marca de 40 mil presos, sendo que 15 mil foram encarcerados nos últimos quatro anos. Isso representa uma lotação de 43% acima da capacidade. Conforme o juiz Sidinei José Brzuska, de Porto Alegre, a falta de vagas é ainda maior. Ele defende que a conta deveria somar outros indicadores, como números de condenados e foragidos. Somente neste ano, 15 mil pessoas receberam condenações no Estado e outros 12 mil mandados estão em aberto. O juiz afirma que o caos acaba por empurrar para outros tipos de prisão pessoas que deveriam estar atrás das grades. No RS, 5 mil cumprem pena em casa.