Dez perguntas para o patrono

Santiago – O jornalista, escritor e professor João Lemes é o patrono da 19ª Feira do Livro de Santiago, escolhido pelos escritores presentes à reunião. Lemes é reconhecido por sua produção no meio jornalístico, na produção de livros e no incentivo aos escritores. Nesta entrevista relaciona leitores, feira e livros.

Como recebeu a notícia de ter sido escolhido patrono?
Com muita alegria, mas a responsabilidade me pareceu maior do que essa alegria.

O que traz o seu livro “Ensaios da Vida”?
Tive que providenciar imediatamente um novo livro para honrar esse convite. O novo livro traz vários contos, crônicas e ensaios inéditos, passagens de minha vida, filosofias etc.

É verdade que lia muito quando criança?
Antes de ir para a escola, já rabiscava alguma coisa numa pedra escura. Ao ter contato com as letras, foi “amor a primeira vista”. Talvez pela ausência de TV, pelo isolamento em que vivia, a leitura se tornou meu mundo. À noite como não podia “gastar luz” (eram lampiões a querosene), então, ficava debaixo de um poste na frente de casa até a madrugada.

Como a escrita definiu sua trajetória?
A leitura colocou em mim uma gama de conhecimentos, a facilidade de se comunicar e de aprender a trabalhar em muitas profissões.

E sua produção para o universo das letras?
Acredito que colaboro por minha trajetória, escrevendo o que a população gosta e entende, uma leitura dinâmica, para todas as classes. O linguajar pra ser bonito, não precisa ser complicado. A beleza está na simplicidade.

A leitura influencia as potencialidades?
É o caminho mais importantes. Quando a pessoa abre a boca, você já sabe se ela lê, se tem conteúdo. Quem lê, tem chance de parar de fazer aquele juízo senso comum, como a maioria. Quem começa a ler, não para mais. Quem segue Sócrates, sabe disso; quanto mais se aprende, mais se vê que precisa aprender.

Como vê o jovem nas mídias sociais?
As mídias sociais atrapalham a leitura e concentração. Eles ficam reféns daquela olhadinha, às vezes, pra ver uma bobagem no Facebook ou no WhatsApp. E são esses jovens que depois têm dificuldade de entrar no mercado de trabalho. Muitos viram analfabetos funcionais (leem mas não interpretam).

Como os pais podem incentivar?
Eles são fundamentais. Numa casa onde não se lê, em que se fica só na frente da TV, computador etc, dificilmente a criança vai ter o gosto pela leitura. É preciso dar o bom exemplo, pegar o livro, ensinar a prática.

E a produção literária em Santiago?
Santiago está de parabéns com essa feira, enxuta em investimentos, mas com 40 lançamentos de livros. Santiago se mantém firme no compromisso de fazer cultura.

Considerações sobre a 19ª Feira:
O humano não nasceu pra viver só, nem deve. O homem tem o dom da palavra e por ela expressa o pensamento. Então, se estiver meio depressivo, venha para a praça conversar com um amigo. Vai ser o melhor remédio. E se por lá enxergar algum um livro que o agrade, compre-o. Se comprá-lo, vai sentir-se na obrigação de ler. Com isso, todos ganhamos.