É um jato? Um silo? Não! É o dinheiro público no chão

É um jato? Um silo? Não! É o dinheiro público no chão

Obra que custou sete milhões apodrece na beira das estradas
Capão do Cipó – Quem cruza a região rumo a Ijuí, Cruz Alta ou Passo Fundo, não deixa de perceber algo gigantesco à beira da rodovia. São as famosas caixas d’água, parte de um projeto que contemplou o sonho de 150 famílias. Sonho este que custou sete milhões e que hoje apodrece ao relento.

A água mais cara
A água já é um produto caro. O produto, em si, não custa nada. O problema é seu tratamento e o transporte até nossas casas. No caso de Capão do Cipó, o líquido se tornou um dos mais caros do mundo, haja vista que pouco foi usado, ou seja, a maior parte dos sete milhões investidos só deu resultado até outubro de 2017, quando uma tormenta colocou por terra parte do investimento. Hoje as comunidades voltaram a apelar para as vertentes e poços, até que a Prefeitura consiga estabilizar a situação de uma outra forma, já que está impedida judicialmente de mexer nas referidas caixas até abril de 2019, quando chega ao fim um processo invetigativo.

É um jato? Um silo? Não! É o dinheiro público no chão

São mais de 140 km de encanamentos feitos com verbas da Funasa.

O sonho de barro
Em 2015, o Expresso publicou esta reportagem: “Moradores de Carovi, Areias, Inhacapetum, Tunas e Rincão dos Vieiras não precisarão mais conviver com um problema que se repetia a cada verão. A falta d’água potável ficou no passado, pois a prefeitura concluiu a nova rede. São mais de 140 km de encanamentos feitos com verbas da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), num investimento que chega a 7 milhões. A solenidade de inauguração com o Prefeito Alcides Meneghini e secretários será às margens da RS 377, em Areias. À tarde, haverá audiência na Câmara para prestação de contas e esclarecimentos com representantes da Funasa”.

Tudo fica como está até abril
Há meses, há uma investigação nas obras das ditas caixas d’água. As autoridades querem saber se, de fato, todo o dinheiro destinado foi investido da melhor maneira, de acordo com o projeto aprovado. Isso porque, quase todas as caixas ruíram. Em nota ao atual prefeito Osvaldo Froner (PP), a própria Funasa informou que desaconselhava uma intervenção mais forte da prefeitura até que findasse todo o processo a cargo da comissão de análise.

É um jato? Um silo? Não! É o dinheiro público no chão

Osvaldo Froner.

Prefeitura atua noutros projetos
Froner disse ao Expresso que sua equipe até reforçou algumas das caixas, porém, ele não poderá reerguê-las por ser obra federal e, principalmente, por estar “sob júdice” (Em processo de julgamento). “Estamos fazendo o possível para não deixar ninguém desabastecimento. Nosso plano é também levar água potável a outras dezenas de famílias que não foram contempladas com esse projeto”, disse o prefeito.

Polícia Federal instaura processo quilométrico
Há um processo de investigação por parte da Polícia Federal, a pedido do Mistério Público Federal. O trabalho é verificar possíveis irregularidades (ou desvios) nas obras da Funasa. Houve uma primeira etapa da investigação que durou meses, sendo que, hoje procede a segunda etapa. No desdobrar do processo, consta até mesmo um possível atentado a uma testemunha. Giovani Diedrich foi baleado em sua residência e hoje recebe proteção policial. Já foram ouvidos os réus, alguns foram presos, outros usam tornozeleira. Tudo tramita na Justiça Federal de Santiago, à espera de julgamento.