Eleições 2018: “Eis o momento mais grave de nossa história”

Eleições 2018: “Eis o momento mais grave de nossa história”

Santiago – Na semana das eleições, o Expresso ouviu o advogado e historiador Valdir Amaral Pinto. Ele falou sobre as eleições de antigamente, da importância de preservar o nome do juiz Moisés Viana e sobre o atual momento econômico e político do Brasil. “Vivemos o momento mais grave de nossa história. Nunca o país enfrentou uma crise igual, com tanta repercussão na vida dos cidadãos. Esse pleito é fundamental para a correção dos rumos, restando o dever de valorizar com o voto aqueles que realmente nos proporcionarão a segurança de um trabalho honesto e produtivo”.

Eleições 2018: “Eis o momento mais grave de nossa história”

Valdir Amaral Pinto.

No tempo dos coronéis
(Colaboração Valdir Amaral Pinto)
Nos dias atuais, a Justiça Eleitoral proíbe a compra de voto e o abuso do poder econômico dos candidatos. Mas nem sempre foi assim. Nos anos iniciais da República, de 1890 em diante, a figura do coronel era muito comum, principalmente no interior do Brasil. O coronel era um grande fazendeiro que utilizava seu poder econômico para garantir a eleição dos candidatos que apoiava. Era usado o voto de cabresto, quando ele usava violência para que os eleitores de seu “curral eleitoral” votassem nos candidatos apoiados por ele.

Capangas
Como o voto era aberto, os eleitores eram pressionados e fiscalizados por capangas, para que votassem nos indicados. O coronel também se utilizava da compra de voto, votos fantasmas, troca de favores e fraudes eleitorais.

O voto de cabresto hoje
Hoje é mais difícil controlar o voto das pessoas, mas há mecanismos de pressão que são usados por candidatos desleais como, por exemplo, anotar as seções em que os eleitores de uma determinada família ou localidade votam, para depois conferir se a votação do candidato correspondeu ao que se esperava dos eleitores, que em troca recebem dinheiro e alimentos. Embora não seja possível se determinar “quem” votou em “quem” por este método, ele é aplicado entre os mais pobres como pressão psicológica.

Eleições 2018: “Eis o momento mais grave de nossa história”

Moisés Viana.

Caso de Florida fez de Viana o patrono da Justiça Eleitoral
O juiz, assassinado nas eleições de 1936, é o patrono da Justiça Eleitoral gaúcha e brasileira. Para que seu nome não caia no esquecimento, o Tribunal de Justiça do Estado quer resgatar a história de Moisés Viana, que morreu assassinado ao tentar impedir uma fraude nas eleições de 1936 em Santiago (Florida). A atitude é considerada um ato heróico, mas poucos conhecem a história.

Juiz morreu abraçado na urna
O juiz eleitoral Moisés Viana nasceu em Livramento. Ele atuava em Santiago, onde coordenou as eleições de 1936 para prefeito. O pleito já começara envolto em polêmica. A votação ocorreu em 1935, mas problemas com algumas urnas exigiram a nova eleição no ano seguinte, disputada pelo atual prefeito José Ernesto Müller e o candidato de oposição Sylvio Aquino. Viana tentou impedir que um eleitor votasse duas vezes na urna instalada em uma casa de Florida. Para evitar a fraude, o juiz teria colocado a mão sobre a urna. A discussão terminou com um tiro, disparado por Thomaz Nunes de Castro. Moisés Viana morreu abraçado à urna, dando a vida em favor da lisura das eleições. O resultado mostrou que, na seção eleitoral de Florida, a vitória foi de Sylvio Aquino, com 126 votos, contra 62 de Müller.