Santiago: enfermeira faz desabafo sobre a domingueira na Alceu Carvalho

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“No dia em que as pessoas tiverem um pouquinho de consciência e empatia, o mundo será melhor, mas vocês não estão preparados para essa conversa”

Em relação à polêmica aglomeração domingueira na avenida Alceu Carvalho, a enfermeira Júlia Taschetto fez um desabafo:

Desvalorização com as equipes da saúde

“O que me deixa mais indignada não é nem o fato do posto Pôr do Sol estar cheio, do calçadão estar lotado e dos comentários deploráveis que noto por aí (não sou ninguém para estar conscientizando alguém pelos seus próprios atos). O que me deixa chateada é o fato da desvalorização conosco, profissionais que trabalhamos todos os dias dentro do hospital”.

Isolamento a contragosto

“Aqui estamos fechados por 6h, vestidos até a cabeça com uma roupa de plástico que transpira pelo ar gelado do aparelho de ar-condicionado – e gela até a alma da gente – com uma máscara desconfortável e apertada, uma touca que se pega na orelha da vontade de arrancar (de dor). A gente não pode mexer por que estamos isolados sem poder tocar na nossa pele. E ainda nem mencionei sobre o medo de levar algo para nossas casas, no meu caso, meus avós que estão no grupo de risco.”

De portas abertas para quem não merece

“Tenho responsabilidade por pessoas que não merecem! Por que tenho plena certeza de que se precisarem do hospital, ou de um leito de CTI, estaremos de portas abertas para quem possa tirar o leito de quem precisou sair porque tinha que trabalhar e contraiu essa porcaria de vírus.” (F:https://www.facebook.com/julia.taschetto)