Ex-prefeito Júlio Ruivo: Vida de ex é uma vida de esquecido

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– Não gosto de político gosmento, que passa alisando e dando tapinha nas costas, porque disso não se tira nada.

Santiago – Depois de meses, o ex-prefeito Júlio Ruivo (PP) tornou a conceder entrevista. Foi no programa “A pauta é”, da jornalista Sandra Siqueira, Rádio Nova Pauta. Derrubando as teorias de que o seu silêncio era estratégico, como parte de plano político, Ruivo justificou da forma mais honesta possível. “Não dei entrevistas antes porque não me convidaram. Vida de um “ex” é uma vida de esquecido”, afirmou, de modo bem-humorado, tocando em diversos assuntos.

Como está sendo a vida fora da política?
Não exatamente fora. Faço parte da assessoria do senador Heinze. Mas fora de um mandato político. A vida de um “ex” é uma vida de esquecido. Poucos amigos lembram.

Muita gente o admira, mas vamos voltar ao passado: como começou a carreira?
Sou da colônia, de Ernesto Alves, perdi meu pai muito jovem. Me formei em veterinária e exerci a profissão por 14 anos. Sempre procurei atender a todos, até mesmo quando não tinham como pagar. Às vezes, de madrugada, na chuva, ia atender um parto de uma vaca. Acabava que me ofereciam queijo, leite, ovos, frango. E ficava feliz por isso (risos).

Como surgiu o convite pra concorrer a vereador?
Foi no final dos anos 80, como acabava até fazendo um trabalho social como veterinário, muita gente vinha e me dizia que eu devia concorrer, pra representar aquelas pessoas e acabei entrando na política. Mas não sabia pedir votos, tinha vergonha, timidez, não discursava. Amigos me diziam que eu seria o menos votado e minha mãe falou que iria ter só o meu voto e o dela. Aí que comecei a andar mais e fazer a campanha e me elegi porque a legenda ajudou.

Mas depois, o senhor teve uma carreira muito atuante no Legislativo e acabou prefeito?
Procurei me esforçar, fazer um trabalho sério, comprometido, de muito estudo. Acabei também sendo oposição na época do prefeito Vulmar Leite, tive embates com ele, mas também o respeitei e ajudei em várias questões. Sempre tive relação respeitosa. E nunca deixei partidarismo interferir nas amizades. Tive outros dois mandatos na Câmara e também fui presidente. Depois, veio o convite para ser vice do Chicão.

Sandra Siqueira e Júlio Ruivo.

Como foi essa parceria de amizade e trabalho com o Chicão?
Tive grandes aprendizados; sinto muito orgulho. Tenho saudade do meu pai, da minha mãe e também do Chicão que foi como um pai. Ele tinha muita bondade, um grande coração. Não tinha ego, de se achar melhor do que os outros. Pensávamos muito parecidos em muitas coisas e ele dava importância à minha experiência.

Como prefeito, o que mais destaca?
O plano era olhar para Santiago com uma visão de futuro, de planejar as coisas, de fazer tudo com estudo. Toda política pública precisa ser duradoura, não como projetos de curto prazo e pouca eficácia. Não gosto de político gosmento, que passa alisando e dando tapinhas, porque disso não se tira nada. Não dá pra ser imediatista. Desenvolvemos muitas ações na saúde, com a estruturação dos ESFs, na cultura, no habitação com o Minha Casa, a transformação urbana, o empreendedorismo urbano e rural, valorização das pessoas, o Cidade Educadora e outros programas. A intenção era que Santiago tivesse um legado forte de transformação da sociedade e conseguimos isso.

E do que se arrepende de não ter feito?
Me arrependo de não ter feito bem a minha campanha pra deputado. Talvez, por sempre pensar primeiro nos outros, tenha cometido alguma falha. Mas sou contra projetos pessoais e não coletivos. Quando era prefeito e houve uma oportunidade de concorrer, preferi não fazer isso pra não trair as pessoas que confiaram que eu concluiria o meu mandato. Também na condição de presidente da AMCentro nunca fiquei viajando pra fazer política, mas trabalhei no que tinha de fazer.

Ficou desapontado de não ter sido eleito?
A política é também uma arte de engolir sapos e fiquei magoado. Mas até que Deus me tirou de coisas ruins pela frente. Pois se fosse deputado não concordaria com essas reformas que estão destruindo com a carreira do servidor. E essa mudança de um estado máximo pra um estado mínimo prejudica os pobres.

Em 2020 pretende concorrer?
Muita gente me toca pilha, sugere. Já outros já ficam até receosos, mas não concorro a nada, com certeza. Vou seguir meu trabalho de auxiliar tecnicamente os municípios em projetos, representando o senador Heinze.