Jovem esfaqueia policial e morre com um tiro no peito

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FOTO: JULIANO NASCIMENTO.

Uma abordagem, discussão, briga e dois golpes de faca em um policial militar, que revidou a tiros. Ele acertou o peito de Jean Viana, que acabou morrendo no local. O policial procurou socorro e sobreviveu.

Santiago – Um desentendimento que, na primeira versão de testemunhas, teria iniciado na casa de shows da avenida Alceu Carvalho, resultou na morte de Jean Francisco Viana dos Santos (conhecido por Salame), 29 anos, e um policial militar (27) ferido. Assim que saíram da casa de shows, os dois se encontraram na avenida Sete de Setembro, em torno das 6h da manhã de domingo, 7. O embate se deu perto da escola Thomás Fortes, onde Jean desferiu dois golpes de faca no policial que revidou a tiros. Uma bala acertou o peito de Jean Viana, que saiu correndo e tombou morto a uns 20 metros.

A primeira versão
Testemunhas contaram à polícia que o atrito teria começado após um companheiro de Jean importunar a irmã do policial (à paisana) na casa de shows. Ao final da festa, o policial, a irmã e o cunhado saíram em direção ao centro. Perto da escola Thomás Fortes, o carro do policial ultrapassou o Corolla, onde estava o rapaz da discussão (motorista) e mais quatro ocupantes, e parou no meio da rua. O outro veículo parou atrás. O brigadiano então desceu e se iniciou uma discussão que durou uns quatro minutos, resultando no ataque a faca e nos tiros.

Jean Francisco Viana.

As facadas e os tiros
Conforme as imagens das câmeras, em meio à discussão, um adolescente de 17 anos foi ao veículo, pegou uma faca e alcançou para Jean, o qual golpeou o militar na barriga. Assim que foi atingido, ele saca sua arma e atira três vezes. Um tiro pegou no peito do agressor, que saiu correndo e caiu morto. O motorista foi embora e os demais prestaram socorro. Já o policial pegou seu próprio carro e, sozinho, procurou atendimento no hospital. Foi operado e recupera-se bem.

Outros envolvidos
Dos cinco que estavam no Corolla, um não teve participação. “Ele, que é militar temporário, viu que iria dar briga, desceu e foi embora”, diz o delegado Guilherme. Outro companheiro tentou apartar a briga e até empurrou Jean para o lado, mas de nada adiantou. Mais tarde, a polícia deteve o menor e encaminhou à Promotoria, que pediu sua internação na Case. A investigação prossegue, agora sob a responsabilidade da delegada Débora Poltosi.

O adolescente – Quanto ao adolescente que estava no veículo e que alcançou a faca para Jean Viana, a Promotoria pediu sua internação na Case, o que foi decretada pelo Judiciário.

Policial garante que só atirou para não morrer
Ao dar seu depoimento, o policial militar disse que agiu em legítima defesa e traz à tona uma versão um pouco diferente da que fora divulgada inicialmente. Segundo ele, não houve desentendimento no show e que nem viu os envolvidos dentro do clube. O atrito se deu apenas na avenida Alceu Carvalho.

A versão do policial
Durante o trajeto pela avenida, o Corolla em que estava Jean Viana estaria em ziguezague, sem deixar o carro do policial passar. Então, em dado momento, ele abordou o veículo, se identificou como policial, e disse ao motorista que ele não poderia dirigir por estar embriagado. Este não aceitou, e iniciou-se a discussão e a briga.

Legítima defesa
O policial ainda narrou que só sacou sua arma quando já estava ferido a faca. A primeira facada acertou sua barriga, na região bem onde fica o cabo do revólver. Aí ele deu um tiro, levou outra facada e deu outro tiro (um deles acertou Jean Viana no peito).

Câmeras registraram o momento do desentendimento.

Motorista do Corolla diz que policial desceu de arma na mão
Ainda durante a semana, a polícia seguiu com as investigações por meio da delegada Débora Poltosi e ouviu o depoimento do motorista do Corolla, o santiaguense Jorge Luiz Silveira de Souza (52 anos). Ele contou que o policial já desceu do seu carro de arma em punho e os abordou dentro do Corolla querendo saber quem havia mexido com sua namorada, “a chamando de vagabunda”. Neste momento, todos desceram e a confusão foi formada. Jorge disse ainda que foi tudo muito rápido e que ouviu três tiros em sequência.
Quanto à possível confusão no clube, ele não soube dizer. Contou apenas que se encontrou com o grupo já na rua e acabou dando uma carona para os quatro.
A delegada Débora observou que pelas imagens das câmeras não se consegue ver tudo de forma nítida como de fato tudo aconteceu, e que aguarda a perícia para dar seu desfecho ao inquérito.