Marcelo Ramos: o sonho de menino vira realidade

Santiago – Marcelo Peronio Ramos, 38 anos, é apaixonado pela cultura, pela música. Agora, o apresentador da Rádio Santiago lança seu primeiro CD, intitulado Essência Nativa. As 10 faixas trazem: “Meio cru”, “As duas faces do campo”, “Dois amigos”, “Romance sem fronteira”, É bem assim nossa gente”, “Em noites feias”, “Morada do tempo antigo”, “Quarador”, “Não arrisco meu pelego”, “A serventia da faca”. Fotografia da capa do cd: Ieda Beltrão. O disco está disponível nas plataformas Spotify, Deezer, Apple Music, Google Play e iTunes. Ligue 9 9670 0574 (WhatsApp) e peça o seu.

De onde vem esse dom? Quando começou? Comecei o contato com a música tradicionalista aos quatro anos. Nos domingos eu, meus irmãos e meus pais tínhamos o costume de acordar cedo para assistir ao programa Galpão Crioulo. Quem “fazia a ponta” era o saudoso Dilsoine Nunes Ramos, meu pai, que tinha apreço pelas tradições e sempre incentivou os “guris”.

Marcelo e Genézio Peronio. Veraneio em Capão da Canoa. Confraternização da família. 1988, mais ou menos.

Há mais veias artísticas na família? Minha veia artística vem da família Peronio. O saudoso tio Abraão Peronio era gaiteiro, tinha conjunto e animava bailes. “Tio Peronio” foi um gaiteiro popular. O músico da família que obteve maior êxito foi Genézio Peronio. Durante muitos anos foi integrante do conjunto Os Guapos. Depois, passou a usar o nome Gaúcho Guapo. Recentemente, lançou o CD “Os Guapos – 44 anos depois”, uma coletânea do antigo conjunto. Importante ressaltar que o filho de Genézio, Márcio Peronio, também fez parte do grupo juntamente com seu pai. Genézio e Márcio eram gaiteiros, cantores e também compunham. Hoje moram em Santa Catarina.

Confraternização entre amigos em 2001. O violão Giannini fazendo parte das festinhas.

O início foi muito difícil? Tinha “medo” do violão? Meu pai comprou um violão Giannini para tornar-se um cantor “para o seu próprio consumo”. Fez algumas aulas, treinou e cantou bastante em casa, mas não obteve sucesso (risos).
Quando eu via o violão empoeirado, pensava: deve ser difícil tocar isso. Às vezes, tentava manejá-lo e até “arrancava” alguns sons. Certo dia, depois de insistir bastante no contato, perdi o medo e começou a sair o solo de “Recuerdos da 28”.

Você fez aulas, toca só violão? Aos 15 anos já ouvia muito Pop e Rock. Provavelmente, foi a partir dessas músicas que aflorou a vontade de aprender teclado. Fiz aulas durante um ano. Esse momento foi fundamental para aprender o “feijão com arroz” sobre notas e acordes.

E depois? Depois, comecei a “pegar” o Giannini novamente, que ainda existe. Comprava várias revistinhas de músicas cifradas. Olhava os acordes e tentava reproduzir. Aí despertou em mim o gosto para a cantoria, pois já estava “arranhando” o violão. Nunca fiz aulas de violão. Sempre digo que sei tocar o básico.

O que a música despertou em você? O que me prendeu ao hábito de cantar e tocar violão foi o fato de ter percebido que, dessa maneira, eu conseguia expressar minhas emoções. Conseguia trabalhar as expressões corporais e faciais. Fazia a interpretação da música.

Teve outros incentivos? Quando universitário, já aos 20 anos, dividia apartamento com um amigo que ouvia músicas nativistas, cantava e tocava. Nos fins de tarde, tomávamos mate e ele sempre “puxava” o violão. Também pegava o meu velho Giannini e fazíamos um momento musical.

Fale do seu disco – Durante vários anos, fui incentivado por amigos e familiares para gravar um CD. Isso também era um sonho. No ano de 2017, essa ideia foi amadurecida para tornar-se realidade. Então, em março desse ano (2018), foram iniciadas as gravações de Essência Nativa.

Desfile de 20 de setembro de 1989. Marcelo participava da invernada de danças do Coxilha. À esquerda, o pai Dilsoine, que também desfilou no caminhão. Marcelo, bem à direita. Essa foto mostra o gosto e incentivo do pai para as tradições gaúchas.

Por que escolheu a música nativista para gravar? Porque sou apaixonado por ela e quero que outras pessoas também sejam e procuro contagiar as novas gerações. Temos uma cultura lindíssima que precisa ser preservada. Considero-me um fomentador dessa cultura. Conforme cantam César Oliveira e Rogério Melo, “antes de sermos do mundo, temos que ser regionais”.

E os parceiros dessa obra? São chamamés, milongas, chamarras, bugios, canções e contrapassos. As letras trazem linguagens campeiras, românticas, apelativas, engraçadas, saudosistas e religiosas. Dentre os autores das letras e melodias, estão: Diego Müller, Binho Pires, Halber Lopes, Valdir Disconzi, Sílvio Genro, José Ucha Ribeiro, Marco Antônio Nunes, Zulmar Benitez, Juliano Javoski, Sérgio Sodré Pereira, Luciano Rodrigues e Vlademir Nunes (Xuxu).

O grande intérprete Adams Cézar canta comigo um dos chamamés. Dentre os músicos e compositores estão o produtor Halber Monteiro Lopes (violões, contrabaixo, percussão e vocais), Jarbas Nadal (gaita botoneira), Cássio Figueiró (acordeon), Vlademir Nunes (contrabaixo e vocais), Marco Antônio Nunes (vocal recitado), Juliano Javoski (vocais) e Adams Cézar (interpretação e vocais).

Pela Rádio Santiago, Marcelo e Marco Antônio Nunes apresentam o programa Baita Chão, de segunda a sexta, às 14h.