Mulheres no comando…

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Mulheres no comando...

Débora Poltosi.

(Por João Lemes)
Delegada analisa a segurança pública e os crimes de impacto na região
O fenômeno que vem ocorrendo no Brasil é também acentuado no RS e em Santiago; empresas e entidades públicas cada vez mais são lideradas por mulheres. Aqui são muitos os exemplos, a começar pela Justiça. Só há juízas no fórum, assim como na Vara Federal, Promotoria e URI. Já na Delegacia de Polícia há dois delegados, uma delegada e várias inspetoras e escrivãs.
Débora Poltosi é jaguariense e está em Santiago desde 2014. Na sua bagagem há oito anos de carreira e muitos casos elucidados. Discreta, simpática, inteligente e capaz, a jovem delegada recebeu nossa reportagem para uma abordagem sobre seu trabalho.

Segurança pública é algo muito caro
Assim como boa parte da população, a delegada tem esperança no impacto anticrime que o país deve ter com o novo governo. “As ideias são boas, embora receie que muita coisa fique no discurso, já que na prática, nada é simples. Segurança pública é algo muito caro”, diz Débora, lembrando que há anos vem ocorrendo cortes. “Estou em Santiago desde 2014 e as viaturas ainda são as mesmas. Então, para algo mudar na segurança, só a longo prazo”, explica.

Colapso no sistema carcerário: Não há mais onde colocar os presos
No Estado houve um melhor aparelhamento das forças policiais nos últimos anos, porém, outros órgãos da segurança receberam investimento menor, a exemplo da Susepe. “Então, com a melhoria das forças, se prendeu mais e aí não se teve onde colocar esses presos. Em Santiago mesmo, muitos pedidos de prisão preventiva foram negados pela Justiça por falta de vagas, problema superado com a reforma no presídio.

A cadeia é uma indústria do crime
Na visão da delegada, o encarceramento, assim como ocorre, não contribui para baixar a criminalidade, pois o próprio sistema acaba virando uma indústria do crime. “Na maioria das vezes, a polícia prende os mesmos. Isso é enxugar gelo. É preciso investir em ressocialização, com mais espaço, instrução, trabalho, assistência social e psicológica etc”, alerta ela.

Mulheres no tráfico
Para a delegada, o maior problema é o tráfico. Hoje até mais mulheres estão sendo presas porque assumem o papel dos maridos no crime quando estes são presos. Isso porque a traficância é a subsistência deles.

Deficiências no semiaberto
Hoje o ministro Sérgio Moro fala em limitar o semiaberto. Débora diz que, de fato, hoje esse sistema não funciona. Em Santiago, dezenas saem para “trabalhar” e acabam fazendo novos crimes. Aí, a pessoa volta para a prisão e perde o benefício. “Tem que haver fiscalização”, diz Débora.

Armamento ou desarmamento?
Um dos temas mais falados envolve a posse de armas para defesa pessoal. Débora entende que o novo ministro Sérgio Moro não propôs muitas mudanças. Ela foi bem clara em dizer que a solução não é sair “distribuindo” armas, mas, sim, para quem tem instrução e capacidade prática e psicológica para usá-la. “Se alguém pensou que com esse governo o porte seria liberado para sair às ruas armado, se equivocou. Acredito que governo nenhum iria liberar as armas dessa forma, sob pena de um caos social.

Mulheres no comando...

Na área rural o perigo é maior
Já na questão dos produtores rurais, a situação é diferente. (Nesse sentido não houve quase alteração na lei). “Os produtores estão longe das forças da segurança a arma seria mais útil, claro, sempre com atenção para que elas não caiam nas mãos de criminosos. Daí a importância do registro. Só assim a polícia terá um maior controle sobre o armamento que circula”, argumenta a delegada.

Delegada aborda os crimes de repercussão regional
Unistalda – Sobre o crime de Unistalda, quando Antônio Freitas Pires foi morto a facadas por Gilberto de Jesus Freitas, Débora explica que o fato foi caso isolado. O motivo foi uma briga por questões de divisas de terra. Vítima e autor eram vizinhos e até parentes. “Como não houve testemunhas, é grande a dificuldade para a polícia. Até uma hipótese de premeditação é quase descartada. Nota-se que foi mesmo coisa de momento. O autor está solto porque não houve flagrante e ele se apresentou espontaneamente à Polícia”, contrapõe.

Caso João Vitor quase encerrado
Santiago – Em relação ao crime contra o menino João Vitor, o inquérito está quase concluído. O caso foi um dos mais comentados por envolver o assassinato de uma criança (12 anos) e porque outra pessoa (menor de idade) foi presa no lugar do verdadeiro autor, o qual mais tarde acabou sendo descoberto e confessou. Quanto ao que foi preso inocente, ele segue internado numa clínica para dependentes químicos. “Não deve haver muitas alterações quanto à autoria e circunstâncias, apesar de que ainda estamos investigando remota participação de terceiros de forma indireta”, observa Débora.

Crime de Capão do Cipó: Fato novo é coisa muito difícil
Outro crime de maior repercussão foi o de Capão do Cipó, em 2017, quando o então secretário de Agricultura Alacir Dessoe e sua esposa foram mortos a pauladas em casa. Volnei Dorneles dos Santos pegou uma das maiores penas; 55 anos de cadeia.
A delegada disse que a investigação foi bem feita, assim como o inquérito. O crime envolveu uma situação social e não há dúvida quanto à autoria.
Na época também se falava em um mandante, haja vista que Alacir vivia denunciando casos de possíveis irregularidades no serviço público. Entretanto, a delegada diz que tudo foi muito averiguado e nada constatado. “Lógico, caso surjam fatos novos e concretos, sem ‘achismos’ populares, estaremos atentos”, disse.