Velhice versus solidão

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(Cátia Siqueira)
A missão da “Cuidar” é qualificar e multiplicar cuidadores de idosos e através de palestras, cursos, treinamentos e wokshps, refletir sobre a valorização deles, sua importância para essa sociedade e de atentarmos para promoção um envelhecimento ativo e saudável. Seria utopia esperar que todos envelheçam como esportistas, pois faltam até investimentos nessas áreas, mas envelhecer com saúde, respeito e valorização é o mínimo.

Quando alguns governantes falam em isolamento social e que apenas os idosos devem ser “isolados”, lembro que a sociedade naturalmente isola o idoso. Ele já vive em isolamento há muito tempo e quem mais isola é a própria família, que age como se o pai ou mãe perdessem o valor. Isso acontece quando eles não opinam mais na família, quando deixam de fazer parte da mesa, quando não são mais úteis para cuidar os netos. A ironia é que nossos políticos, a maioria tem mais de 60 anos, portanto, são idosos.

Simone de Beauvoir já alertava da dificuldade de nos aceitarmos velhos, porque “velho é sempre o outro”. Fugimos da velhice, dessa realidade incômoda, talvez por medo de sermos tratados como hoje tratam seus pais e familiares mais velhos ou simplesmente por medo, como cantou Mafalda Veiga: “Acho que todos fogem de ti pra não ver a imagem da solidão que irão viver quando fores como tu, um velho sentado no jardim”.

A escritora santiaguense Enadir Vielmo, a qual faz um belíssimo trabalho sobre o envelhecimento, também retratou a solidão da velhice e o abanando.

Precisamos refletir sobre o individualismo e a falta de empatia. E vejam; não é uma questão de direita ou esquerda, de ricos ou pobres, de jovens ou velhos, brancos ou negros. Essa dualidade não nos levará a lugar nenhum. Faça a sua parte, faça o bem hoje, seja melhor hoje e cuidem de quem sempre cuidou de vocês.

Cátia Siqueira
#cuideseuidoso