O primeiro dia 19/09/08

Quando o relógio marcou 4h:45min, fui o 1º a levantar. Quem quisesse tomar banho teria que aproveitar bem o horário do banheiro vago. E isso foi regra em todo o percurso. Em poucos minutos, todos estavam com seus cavalos encilhados, caminhões e carros de apoio carregados. Partimos para a gruta Nossa Senhora de Fátima, na companhia de cavalarianos das outras cidades, que aguardavam na saída da cidade. Os oito km foram vencidos em hora e meia.Chegando a Ernesto AlvesQuase 14 horas, chegamos a Ernesto Alves. Fomos recepcionados pelo Piquete Caudilhos do Cerro e Clube Rosário. Após desencilhar e alimentar os animais, chegou a nossa vez de matar a fome com um churrasco. Como nos dias seguintes à tarde foi livre (os animais precisavam descansar), visitamos pontos turísticos, jogamos futebol, jogamos cartas entre causos e piadas. No jantar: arroz-de-carreteiro. Após, o clube Rosário foi tomado pelos cavalarianos e moradores, para as tertúlias. A equipe de Capão do Cipó teve a honra de ficar hospedada na casa do vereador Franquilim Amaral e Luiz Ademar Martins (Macarrão), conseguimos até assistir ao fiasco da Seleção Brasileira com a Bolívia.A distribuição da ChamaUma bonita cerimônia marcou a distribuição da Chama Crioula em Nova Esperança. Logo de início, uma forte emoção estava reservada, com Édson Vargas cantando o hino Rio Grandense. Devido ao horário apertado (no caso de Capão do Cipó e Santiago ainda teríamos que fazer quase 15 km até Ernesto Alves), cada município recebia a Centelha e partia. Após três km de estrada de terra, viria o único trecho de asfalto do percurso. Quase oito km pela perigosa RS 325, percorridos com tranqüilidade graças ao apoio da Polícia Rodoviária Estadual.A tempestade anunciadaA madrugada de quinta já anunciava o que viria. Raios e trovões antecederam a chuva que chegou no momento em que a gauchada pegava os cavalos nos piquetes. Pronto, o primeiro banho do dia estava assegurado. E que banho! Após o café, partimos de Ernesto Alves com quase meia-hora de atraso rumo a Bom Retiro. E chuva e chuva! Pior sorte teve Gisele Rodrigues, a única prenda que acompanhava os cipoenses! Esqueceu o chapéu num carro de apoio. Foram quase quatro horas abaixo de água e sob as gargalhadas da gurizada. Passava do meio-dia quando chegamos ao Clube Canarinho, recebidos pelo presidente Cássio Catellan. Como o tempo continuava de cara feia, muitos passaram a tarde dormindo. Outros, jogando cartas.De Bom Retiro a Rincão dos SoaresApós uma prece pedindo a bênção de Deus, partimos de Bom Retiro em direção à propriedade de Antônio Colpo – Rincão dos Soares. Sem dúvida, o pior dia! O frio chegou cortando coxilhas e a garoa fina não dava sinais de querer ir embora. Após pouco mais de uma hora, passamos por Vila Florida e seguimos enfrentando barro nas estradas recém-patroladas. Já na entrada do acampamento encontramos uma equipe da prefeitura de Santiago colocando cascalho, para diminuir o barreiro. Após um churrasco gordo, só restou a cada um puxar de seu colchão. O frio congelava! Com colchões e ponchos molhados, muitos tiveram que passar a noite sentados ou encostados nas bordas de caminhões. Como a noite era reservada aos cipoenses para a guarda da Chama Crioula, levantei às 03 da manhã. Em pouco tempo, os pés estavam congelando. A volta do solPara quem estava acordado desde a madrugada, o clarear do dia trouxe uma boa notícia. A geada foi fraca, e o Sol voltou, mudando o ânimo da gauchada. Após as despedidas e homenagens àqueles que nos recepcionaram, partimos para os últimos sete km em companhia dos amigos de Santiago. A separação aconteceu com emoção em Esquina Neri, onde reacendemos a Chama. Agora, dos 120 gaúchos, nossa comitiva estava reduzida para menos de 20, entre eles uma prenda e dois garotos, de sete e nove anos.Rumo a Capão do CipóApós a despedida, fizemos mais alguns quilômetros e almoçamos na fazenda de Artur Brum. Foi uma parada rápida, onde comemos arroz com lingüiça feito por Nezito Reis. Logo estávamos outra vez na estrada, para mais 15 km até a fazenda Coxilha da Tuna, de Olga e Alice Cardinal. Era a última noite longe de casa. Durante o jantar, fomos surpreendidos pela visita de esposas, maridos, pais, namoradas… Para domingo, faltava percorrer apenas 18 km. Antes, ainda haveria uma última parada e almoço, na propriedade de Paulinho Nascimento, Piquete Bela Vista.Pequeno no tamanho e grande na tradiçãoA Cavalgada 2008 ficou marcada pela presença de crianças, algumas com menos de seis anos. Mas nenhuma se destacou tanto como o cipoense Nathan Chagas, de 09 anos, e seu pônei. Além de conquistar o coração das prendinhas, ele foi homenageado pela sua destreza em cuidar de seu animal e pelo companheirismos. Além disso, seu pônei recebeu uma tosa gratuita, do pessoal da Brigada Militar. Final de empreitadaDomingo, 16 horas. Enquanto os amigos de Santiago entregavam a Chama Crioula em frente à prefeitura, eu, devidamente acompanhado dos coordenadores João Vargas, Ronie Reis (Alemão) e Paulinho Nascimento – e os demais cavalarianos cumpríamos nossa empreitada no CTG Gumersindo Saraiva, entregando a Chama ao prefeito Serafim Rosado e patrão Miguel Viero. Foram seis dias de estrada e que serviram como um aprendizado. Muitas amizades e o convite para em 2009 voltar a conduzir a Chama Crioula. Com a graça do Patrão Maior, estarei lá.Vai um carreteiro de ovelha?Semana Farropilha tem que ter um bom arroz-de-carreteiro. E isso foi o que não faltou no acampamento do Luiz Ademar Martins, o Macarrão. Ele e o vereador Franquilim Amaral prepararam cada carreteiro com charque de carne de ovelha daqueles de lamber os beiços. Sorte do Denílson Côrtes, convidado permanente.

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