A cegueira do egocentrismo

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(Arlete Gudolle)
Pode existir pessoa mais chata do que aquela que vive reclamando de tudo, que critica o que vê e ouve? Tudo é motivo para destilar a raiva que sente pelos outros, pelas coisas e pela vida. O convívio, contaminado pelo pessimismo, gera tristezas e decepções. Ignora que só os felizes são capazes de permitir que os outros ascendam à felicidade. Em seu diário, Anne Frank escreveu palavras de inestimável valor experiencial: “Quem for feliz quererá tornar os outros felizes”. Verdadeira é a contradita dessa verdade. Se alguém não gera em si felicidade, vontade de viver bem e melhor, carrega consigo o estigma de tornar infelizes aqueles com quem compartilha emoções ou vive. Seres amargos, pessimistas, críticos ou maldosos carregam preconceitos centrados em inveja, desamor, falta de perspectiva ou impossibilidade de se admitirem portadores de tão reprováveis defeitos.

Alguns deles agregam dimensão muito superior à causa que originou tais defeitos. Agigantam-se diante de fatos menores e minimizam-se diante de situações exacerbadas. São guerrilheiros sem causa que destilam sobre os outros toda cólera fomentada em problemas reprimidos ou intuitivamente criados. São suas as maiores dores, só eles são infelizes, o passado é seu referencial, só volvem o olhar para enxergar o próprio umbigo. O egocentrismo não lhes permite vislumbrar a beleza e os mistérios encobertos pela noite, nem se permitem rejubilar-se pela magnitude do sol, que torna os dias mais radiosos com sua magnânima claridade.