A maldade é humana

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(Valdo Barcelos)
Existem pessoas que praticam tanta maldade que devemos fazer tudo o possível para não ficarmos perto delas. O ambiente, habitado por essas pessoas, se torna um nicho ecológico de doenças. Ao permanecer nesses locais, corremos o sério risco de que o mal em nós, também, se manifeste. Afastar-se dessas pessoas é um ato de generosidade e coragem. A coragem é uma forma de demonstrarmos que, mesmo tendo razão, optamos pela delicadeza do afastamento. Que esta gentileza seja vista como fraqueza, ou mesmo covardia, é algo que não nos pertence. Ao contrário, esse pertencimento é propriedade dos covardes. Os covardes são cruéis, pois, a crueldade que praticam é o combustível que os move. É a energia com a qual alimentam suas almas. Tristes e doentes almas. Os covardes são tão menores quanto maior é sua capacidade de praticar a maldade. Quando sua maldade não cabe mais em seu pequeno ser, ela transborda e quem está próximo corre o risco de ser contaminado.

Devemos estar atentos para que não fiquemos parecidos com essas pessoas. Mas como perceber que estamos ficando parecidos? Quando percebemos que estamos começando a fazer as mesmas coisas. Devemos evitar aceitá-los(as) como “inimigos”. Procurando não agir contra eles. Não usar os mesmos métodos que usam. Certamente que isto não é uma receita de bolo, nem manual de autoajuda, mas pode nos ajudar a lidar, de forma menos doentia, com aqueles(as) que, comumente, sentem prazer com o exercício da maldade.

Difícil isto? Sim, muito difícil. O mestre Dalai Lama ensina que uma maneira de começarmos a exercitar essa possibilidade é pensando que nosso “inimigo” é apenas mais um ser humano que, como nós, está passando por este mundo e que o faz da maneira que consegue. Portanto, tudo aquilo que esse ser faz é o que ele consegue ser e fazer de melhor na sua existência. Existência, da qual, tivemos a oportunidade de participar. Há que aceitar algumas obviedades: (1) toda a maldade é humana; (2) o ser humano não se resume a maldade, e, (3) a elevação espiritual não está na brutalidade, mas, sim, na delicadeza.