A tortura dos noticiários

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(Arlete Gudolle)
Sempre temi envelhecer. Apesar da degradação do corpo e de doenças que incomodam, essa fase tem seus encantos. Dentre muitas coisas, passei a me dedicar ao que causa mais prazer em realizar, aprendi a ter mais paciência, a aceitar os defeitos dos outros, a tolerar críticas, a ouvir conversas desagradáveis e não interromper o falante. Tornei-me seletiva no que vejo ou leio. Virei alienada? Se olhar noticiários na TV e ler reportagens em jornais que se dedicam a relatar o lado mais perverso da vida significa estar bem informada, prefiro alienar-me a me torturar com o que me desconforta. Então, deixei de assistir aos noticiários e só leio assuntos que gerem satisfação. Se antes me dedicava a escrever sobre política, corrupção, criminalidade, descaso com saúde, desemprego, insegurança e educação, passei a relatar situações que me motivam a não abandonar a escrita.

Mais pessoas estarão insatisfeitas também em ver e ouvir na mídia só notícias ruins? Indago-me: o que há por trás da repetição exaustiva de assuntos desagradáveis? Pesquisando sobre isso, eis uma das respostas: O bombardeio negativista em manchetes e comentários pode agradar ao fígado e projetos de alguns jornalistas, políticos e empresários envolvidos na batalha entre petistas e antipetistas, mas está saturando o público que, num impulso de sobrevivência social, passa a olhar para o outro lado. O outro lado é simplesmente ignorar a imprensa, algo que deveria tirar o sono de executivos, diretores de redação e editores.