Dizer o quê?

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Dizer o quê?

(Arlete Gudolle)
Seguidamente, recebo vídeos com erros grotescos escritos em cartazes. Entristeço-me porque isso também ocorre oralmente e em muitos ambientes. Já li e ouvi cada coisa… Um aluno, em um de meus cursos, escreveu no verso do cheque: Fessorinha. Este cheque não vale. É só calção. Enquanto aguardava a vez para ser atendida no banco, ouvi o diálogo entre duas senhoras: Não posso ficar muito tempo dimpé porque sofro do figo! A outra: E eu tenho linguiçage no estomo. Acho que é uma ursa! Num bar, próximo de onde morava, o gurizinho, filho da locatária, uma italiana robusta e corada, detentora de uma simpatia rude, porém amorosa, tentando corrigir a mãe, que me havia perguntado: Vai querê hoje pespi e frosfo, vizinha? O filho: Que ié isso, veia, querendo fazê feio com a fefessora? Já ti disse e ridisse qui num é Pespi. É Pespissi! E num é frosfo. É frosfiri!

Decorridos dois meses de aula, após combinarmos o uso do idioma pátrio com a maior correção possível, os alunos caprichavam na fala. Numa manhã de muita chuva, o aluno mais calado da turma, mas com fama de desbocado, ao chegar molhado e com atraso, tentando fazer muito bem a sua parte no trato com a língua lusa, se saiu com isto: Minha amante professora, a senhora já chegaste? Desde tresontonte que está aí? Dando-se conta da gafe, depois de ouvir a mais sonora das gargalhadas dos colegas, encerrou a elocução com mais isto: Viche, vida de bosta! Por que que fui obedecê à putenga da minha mãe, que me mandô eu não ficá mais calado?