Educar pelo exemplo

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Educar pelo exemplo

(Arlete Gudolle)
Errei muito na criação dos filhos. Mimei-os em demasia, inclusive construí reforçada couraça para lhes evitar o sofrimento. Conquistada a confiança deles, me confidenciavam os seus segredos mais reveláveis. Procurei gravar-lhes no cérebro que o ter é bom desde que venha acompanhado de um ser generoso e prestativo. Ensinei-lhes que, por não terem que administrar fortunas, deveriam administrar os sentimentos. Se essa foi a grande lição que lhes ensinei e aprenderam, estou apaziguada com a vida porque procurei mostrar a eles que o olhar sobre as pessoas e as coisas deve, acima de tudo, ser guiado pelo coração. Existem coisas que não podem se queixar, e nem eu: de compartilhamento de afeto, gentilezas, atitudes educadas, prodigalidade de beijos, abraços e doces cumplicidades.

Demonstrei-lhes ainda que, antes de apontarem ou verem os defeitos nos outros e nas coisas, deviam procurar-lhes o lado mais bonito da aparência física e do caráter. Ensinei-os também a elogiarem sempre que acharem algo, alguém, um feito, um ato bonito e bom. Emprestei a essa manifestação sinceridade e emoção, porque, para mim, o elogio tem a configuração de uma rosa das mais lindas e o sabor de todos os doces mais bonitos e saborosos. Aqueles que, uma vez, aprovados, não mais serão esquecidos. Se consegui ser o que planejei ser e lhes incuti o que desejava que fossem, pontos pra mim. Quando morrer, espero, bem velhinha, mas lúcida e ainda inteiraça, que a terra me seja leve e os céus me acolham com carinho.