Festejar o quê?

Festejar o quê?

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(Arlete Gudolle)
Brasil e RS preparam-se para grandes festejos. Haverá motivos para festejar com tanta corrupção, assassinatos, descaso com a saúde, derrocada da educação, drogatização crescente, violência de toda espécie, insegurança? Apesar disso, muitas pessoas não precisam de muita coisa para se ufanar do chão mesmo que incontáveis situações conspirem contra o senso pátrio. Gestos concretos despertam nelas a força imperiosa e telúrica que lhes deveria ser contumaz e inerente. É preciso que algo aconteça como uma data importante, para que aflore o orgulho de terem nascido em determinado lugar e percebam que a pátria não é só um determinante da nacionalidade. É o solo onde plantam afetos, as pessoas com quem interagem e o singelo prazer de cultivarem flores.

É a magia do labor diário, a saudação entusiasmada a desconhecidos mesmo que tímida a resposta, a sensação do dever cumprido. Se atitudes triviais causam euforia, imaginem o rufar de tambores anunciando a passagem de escolares desfilando garbosos em homenagem à Pátria, o som de violas e gaitas gemendo vanerões e rancheiras ou o trote de cavalos anunciando a Semana Farroupilha. Em dança festiva, imaginem cada cidade, cada estado, todo o Brasil ufanando-se de feitos grandiosos de sua gente pela eliminação de vilanias, pela percepção de povo educado, saudável, seguro, realizado usufruindo de benesses geradas pelo progresso, sentindo-se orgulhoso de si e de seu país, não apenas no 7 ou no 20 de Setembro, mas em todos os dias. Mero sonho?