Frio

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(Por Jayme Piva)
Abomino o frio, ossaturas rangentes, alma e corpo enregelados. Pregoeiros da invernia me perdoem, mas detesto a gelidez da estação com seu cortejo de gripes, resfriados e má circulação propiciatória de doenças cardiovasculares. Natureza em recesso, despegada da vital energia solar, oculta por nuvens agoureiras. Ruas desertas, vento uivando nas frinchas. Noites sombrias, chuvaradas, garoa repicando nas vidraças em prantos de tristeza. Arvoredo e plantações dormentes, em estado de letárgica sobrevivência. Neve? Monotonia, cenário branquicento, hospitalar. Carcaças congeladas, animais encolhidos, cuscos enrodilhados em tremuras de abandono. Nem os pássaros entoam seus trinados!  Indigentes dormitam ao relento, cobertos por farrapos! Famílias ao desabrigo, habitando casebres nos morros favelados. Crianças esfaimadas, sem agasalho, desnutridas.  Ah, os dias quentes de verão! A vida é uma festa já ao amanhecer. A suavidade da brisa leve soprando nas ramagens em louvores ao renascer da aurora, aos fulgores das praças verdejantes! Nas calçadas, a exuberância das mulheres envoltas em provocantes transparências. Nostálgico, relembro aquelas graças feminis retemperadas pelo renascer das flores, pelo brilho e refulgências de cálidos resplendores emanados de muita luz, sol, mar e cerveja!

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