Meus filhos são meus, sim!

Meus filhos são meus, sim!

(Arlete Gudolle)
A primeira vez que li em Khalil Gibran que Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem, achei-os verdadeiros. Ainda não havia sido tocada com a magia da maternidade. Assim que meus meninos foram nascendo, as estrofes ora me pareciam verdadeiras, ora me assustavam. “Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho” se aglomeravam em estrofes que não me convenciam porque os sentia uma extensão legítima de mim. Via neles gestuais que me eram familiares, que me transportavam para vivências na infância.

Depois, quando o ninho começou a ficar vazio com a ida deles para estudarem fora, nem os versos “Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas” faziam jus a meus anseios maternos. As estrofes finais “O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável”, soavam-me como a mais genuína apologia do descomprometimento. Hoje, encimada em muitas décadas de vida, certifiquei-me de que meu coração estava pleno de razões. Os meus filhos são meus, sim! Sinto-me comprometida com eles enquanto viver. Devo ampará-los sempre que de mim precisarem e como sonho com o retorno deles para encherem o ninho mesmo que seja mais um sonho egoísta de mãe!