O beijo

O beijo

(J.Lemes)
Era 1896, quando os atores John C. Rice e May Irwin trocaram o primeiro beijo na tela do cinema mundial, conforme narra o livro The Story of Film, de Mark Cousin. Tudo foi filmado por Thomas Edison (o inventor da lâmpada). A notícia correu o mundo. Surpreendeu, como tudo o que é novo. Estava estabelecida a mudança de uma cultura, a de que é permitido se beijar em público. Afinal, o beijo é amor, é afeto. É melhor beijar do que bater, surrar, assaltar. Faça amor, não faça guerra, diz o adágio.

Depois de 1896, vieram outras cenas mais fortes até as telas se taparem de pornografia. Hoje tudo está liberado em canais do governo, canais fechados ou pela internet. Todos, até crianças, têm acesso ao pornográfico, ao escandalizador, enquanto os pais dizem: “Não sei mais o que fazer para evitar que eles vejam”. Só que falam isso sentadões no sofá vendo os puxa e afrouxa da Globo em horário nobre, com as crianças do lado.

Nem de longe direi o que é certo e o que é errado. Não tenho essa competência. Só quero lembrar que as pessoas são livres para manifestarem seus desejos assim como são livres para desligarem a TV, trocar o canal, colocar senha no computador para o filho não acessar a “sujeira”… É bem verdade que sigo pensando que certas coisas, como o beijo demorado (entre gays ou casais héteros) dado na rua, nas praças, teriam melhor lugar em boates, nas suas casas e, bem melhor, na privação do quarto.

O que não se pode admitir é a hipocrisia de alguns que criticam o beijo gay na TV (também achei exagero – não precisava) e saem republicando pela rede social a cena da qual não gostaram. Diante de todo esse puritanismo e mimimi, repito o que já escrevi no meu face: imaginem se tivessem gostado.