Por que não ser feliz?

(Arlete Gudolle)
Muitas pessoas já não mais acreditam na felicidade. Eu, não! Escrevi muitas vezes que para ser feliz basta bem pouco. Encanto-me com amores-perfeitos que, emurchecidos pelo tempo e a chuva, teimam em renascer todos os dias. Vibro ao ouvir o zumbido das abelhas mesmo que gestem o néctar noutro lugar. Abro bem os olhos para me deliciar com o beija-flor que bebe nas flores de plástico, cheias de doce sumo, que armei para atraí-lo, imaginando que a flor é viva. Extasio-me com o tamborilar da chuva que me desperta, mesmo que as altas horas rondem a noite. Minha alma pagã saltita de alegria quando me deparo com alguém que ainda responde ao meu bom-dia, ou, ao parar na faixa de segurança, anda que o passante trafegue bem devagar, sorri agradecido pela gentileza obrigatória. 

Morro de rir de tão feliz, ao ouvir, ao telefone, o anúncio de que alguém se lembrou de mim e percebo que o interlocutor também ri. E o sol se espreguiçando no horizonte? E a lua, no prata mais cintilante, ressurgindo atrás das nuvens, embriagada de amor pelo Astro Rei? E a moça que me atende bem até quando compro uma agulha? E a música linda que ouço de graça, oriunda da janela de minha vizinha mais querida. Gargalho extasiada pela alegria quando comentam o que escrevo neste jornal? E se o Brasil ganhar?
Não são motivos relevantes para eu ser feliz? Só de saber que tenho incontáveis motivos para sorrir e até para chorar, apregoo que felicidade existe, sim! Basta olhar a vida com os olhos bem abertos do coração.