Por que somos assim?

Publicado por em .

(Arlete Gudolle)
Às vezes, acordo tão saudosa dos filhos que me reporto à infância deles ou recordo algo que escrevi sobre eles. Assim é o artigo de hoje, que repriso com escusas. Quando os nossos filhos vão para a escola pela primeira vez, apossa-se de nós, as mães, uma sensação estranhíssima. Algo como se alguém estivesse nos dizendo: as asas deles estão pedindo para voarem e a voz de nosso coração, num laivo de egoísmo bom, nos sussurrasse: prende-os, protege-os das maldades do mundo. Não os deixa irem!” Aos poucos agregamos o mundo dos filhos ao nosso. Tudo o que de bom lhes acontece é vitória redobrada para mães. O que lhes ocorre de ruim, mesmo que superficial, gruda em nós como se facas muito afiadas nos arrancassem pedaços do coração. Com que caudal de lágrimas vivenciamos cada conquista deles! Com que fúria os repreendemos por algum malfeito!

Depois nos arrependemos e choramos, e lamentamos as palavras ferinas articuladas no momento inadequado e, para recompensá-los, premiamo-los com abraços, beijos e presentes. Corações voláteis, as mães esquecem o que de bom ou ruim fizeram aos filhos. Estes, não! O bem e o mal se incorporam neles de tal forma que pode modificar seus destinos. Então, vibramos com o sucesso e com as alegrias, sofremos com as dores e os fracassos dos filhos como se tivéssemos feito muito pouco para ajudá-los a vencer. Nós, as mães, somos assim: anjos e santas, madrastas e bruxas. É justamente essa doce mistura de condições que faz o nosso encanto ou a nossa desdita.