Rebeldias e sutilezas

Rebeldias e sutilezas

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(Arlete Gudolle)
Depois de noite plena de emoção, centrada no Recital Poético da Academia Santiaguense de Letras, em que cada acadêmico procurou mostrar o melhor de seu talento, debrucei o olhar sobre a infância. Melhor, para a libertação da infância. Sentindo-me poderosa, encimada nos nove anos, depois de muitas tardes decorando regras de gramática, cálculos matemáticos, passagens da história do Brasil, acidentes geográficos, clima, população, rios e seus afluentes, nomes das capitais de estados, leituras das fábulas de Esopo e obras de Monteiro Lobato, preparei-me, com dedicação e entusiasmo, para fazer o exame de admissão, verdadeiro vestibular para ingresso ao ginásio. Por serem limitadas, preenchiam as vagas aqueles que obtivessem o melhor desempenho. Por isso, a dedicação se fazia premente e redobrada.

Foi nessa transição entre continuar usufruindo da doce irresponsabilidade que nutre a infância e vestir roupagens de seriedade para enfrentar o novo mundo e, desde o início, pintava cenário desafiador, que tomei drástica decisão. Assim que se iniciassem as aulas, não me levantaria mais às seis horas e não mais tomaria café já que o motivo alegado por minha mãe era o de que criança bem alimentada teria maiores condições de apresentar um excelente desempenho escolar. Para isso, exigia que levantasse cedo, tomasse banho e me alimentasse de um bem sortido café matinal, o que consumia muito tempo do ato de dormir. Assim, senti-me alforriada de certas imposições para só fazer o que gera prazer.