Trovas do Atanásio

(Tadeu Martins)Trovas do Atanásio
Toda a lágrima caída
É água de batistério,
Caindo do céu dos olhos
Pelas nuvens do mistério,
São orvalhos de saudade
No jardim do cemitério.

Quando a luz da vela treme
É porque o vento tem dores,
Daqueles que já se foram
Viver em outros labores,
E voltam agradecendo
Pelo presente das flores.

Nós somos clarão de chama
Do pavio que acende ela,
Oxigênio do sopro
Vital da vivência dela,
Chegando o vento da morte
Dá um sopro e apaga a vela.

Levamos flores e velas
Para a lembrança jazida,
Aos nossos entes queridos
Que nos deram uma fugida
E ainda não os achamos
No outro lado da vida.