Um ato de resiliência

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Um ato de resiliência

Reprodução.

(Arlete Gudolle)
Viver é ato de superação e renovação constantes. A cada dia, preciso me reinventar, porque um mal físico persistente me debilita. Há em mim uma estranha e poderosa força que, guindada por uma voz interior me ordena: não desiste. Assim tenho vivido, há três anos. A cada consulta com novo médico, o diagnóstico encaro como um agente salvador embora o mal resista e se fortaleça. Então desenvolvi a difícil arte da resiliência (capacidade de vencer obstáculos e momentos difíceis diante de situações adversas). No entanto, quando a noite se torna ameaça terrível, pois a tosse que me atormenta ganha forças de tsunami, envolvo-me no pensamento: tudo vai terminar bem. Dificilmente isso acontece. Quem sabe, um dia…

Envolta nessa vontade de viver, na última sexta-feira, reuni, em minha casa, as amigas que me visitaram no hospital, ou me prestaram algum tipo de ajuda. Mesmo que fisicamente debilitada, faxinei e decorei a casa. Notoriamente taxada de péssima cozinheira, fiz todas as comidas que iria oferecer às visitas, além dos mimos, aos quais dispendi extremado capricho. Nessa carinhosa homenagem, estavam Marli Girelli que, além de lavar as roupas que usava no hospital, tornava as tardes hospitalares um rito de felicidade. A presença de Dilse Oliveira e Tanajara Ribeiro diminuíam a extensão das tardes com sua exuberante alegria. Recebi ainda as adoráveis Marina Machado e Odete Pedrozo. Para mim, foi uma noite mágica e um ato de redenção por todos os anos que deixei de conviver com elas.