Um sentido para a vida

Um sentido para a vida

(Arlete Gudolle)
Ando carente de abraços, de compartilhamento de segredinhos, de cumplicidades trocadas entre doces sorrisos de malícia que só o sabem fazer mãe e filhos. Ando sedenta de beijos sem compromisso, somente pelo prazer de beijar. Ando faminta de tardes vazias, deixadas soltas pelo íntimo desejo de me sentir dona das horas. Ando ansiosa por danças pela mera intenção de deixar o corpo bailar ao ritmo da melodia. Ando saudosa de campos, de mato, de rio, só para sentir a doçura que foi minha infância. Ando necessitada de preces sem compromissos com santos ou deuses, para dar paz aos insistentes conflitos interiores. Ando nostálgica de arroubos juvenis em que dialogava com o vento sem medo de articular palavras ousadas. Ando à espera de noites de sono bom, pois a insônia alimenta a saudade.

Ando contando os dias porque terei saciada a espera de meus amores. Então deixarei que a vida escorra sem relógios, sem pressa. As tardes não serão mais vazias. As noites de insônia terão sentido. Os beijos serão ofertados sem parcimônia. Os abraços se farão desmedidos. Os segredos tomarão a formas da verdade revelada. As saudades da infância reviverão em minha netinha e os tormentos interiores irão embora com a mesma rapidez como em mim se apresentaram. O segredo é estabelecer limites entre o bom e o ruim, o conflito e a paz porque a vida mostra os caminhos que nos conduzem à realização dos sonhos. Assim é a vida, cíclica, ininterrupta, com dias plenos de encantos e noites negras como temporais.