Um ser diferenciado

Um ser diferenciado

(Arlete Gudolle)
Dentre atitudes que me deixam extremamente comovida, estão generosidade, dedicação e carinho. Reunidos, agregam maior valor aos atos praticados. Quando sei de alguém que se doa a cuidar de familiares e se queixa da dificuldade da tarefa ou se lamenta pelo longo tempo da enfermidade, sou tomada por incômodo sentimento de rejeição à queixa. Dedicação deveria ser uma ação natural nos cuidados dos afetos, jamais obrigação penosa ou geradora de revolta e lamúrias. A vida é um ciclo evolutivo que implica gerar, crescer, amadurecer e fenecer. Por isso devemos estar preparados para enfrentar a difícil passagem entre a vida e a morte quando algum dos nossos é acometido por doenças e encarar esse procedimento como um dever a ser cumprido com amor.

Se atos assim são desenvolvidos por alguém, cujo vínculo com o enfermo se pauta apenas pela amizade, devem ser divulgados mesmo que o ser generoso não saiba da homenagem. Reporto-me a José Luiz Wesz, o Maneco, que, durante a sofrida enfermidade de Gilberto Oliveira, o Betinho, não poupou esforços físicos e financeiros para amparar o amigo que lhe era tão querido. Além de levá-lo a hospital em Santa Maria por vezes incontáveis, dedicou-se a lhe prestar emocionante funeral. O que Maneco fez foi um ato de amor incondicional que o engrandece e o torna um ser diferenciado. Tive a honra de ser professora do cuidador e do enfermo, alunos que se destacavam pela dedicação e amorosidade. Também por isso, enterneço-me com o ato de grandeza de José Luiz.

Na foto: José Luiz Wesz.