Um tempo para recordar

(Arlete Gudolle)
Nunca fui saudosista. Como tenho profundo respeito por quem me lê e fico feliz com elogios recebidos dos leitores, hoje escreverei sobre um local mágico da Terra dos Poetas. Por sugestão da encantadora colega de Magistério Ieda Maria Rosa, reavivarei as lembranças de pessoas que aqui viveram em tempos gloriosos de uma quadra da Avenida Getúlio Vargas, hoje Calçadão. Com que expectativa era esperado o fim de semana para se encontrar amigos e paquerar. Ali, rapazes e moças desfilavam suas melhores roupas para verem e serem vistos. Iam e vinham por tempo indeterminado. Ao cansarem, dirigiam-se ao Café Ponche Verde, local famoso por servir como cenário de encontros amorosos. É sabido que muitos deles terminaram em casamento e os enamorados felizes vivem até hoje.

No Cine Imperial, além de se namorar, assistia-se a filmes inesquecíveis. Na mesma rua, eram servidos sorvetes e picolés na Sorveteria do seu Antoninho Dorneles. Alianças de casamento eram compradas nas Relojoarias do seu Oly Bertoldo, do seu Garcia e na Ótica Silva. Ternos para festas e casamentos eram confeccionados por seu Teodomiro. Móveis adquiriam-se na Casa Verba; todo tipo de utensílios, na Ferragem do seu Zeferino. Livros, cosméticos e materiais de bazar encontravam-se na Livraria do seu Togo Ramos. Em caso de doenças, remédios eram vendidos na Drogaria do pai do Túlio Piva. Ali também se localizou a Rádio Santiago. Foi graças à memória prodigiosa de Eulália Martins de Bitencourt que teci essas doces lembranças.