Uma esperança reiterada

Uma esperança reiterada

(Arlete Gudolle)
Devido ao temporal de terça-feira, terminei assistindo à derrota do Grêmio pelo rádio. Depois de acalmada a tristeza, recordei-me da infância em que ouvia jogos pela Rádio Guaíba junto com o pai. Revivi o tempo de uma pureza e simplicidade comoventes em que dormíamos de janelas abertas ou, nas noites quentes de verão, levávamos as camas para o pátio e adormecíamos contando estrelas. Recordei-me também de deveres e prazeres a serem desfrutados nos domingos. Às dez horas, minha irmã e eu íamos a missa; à tarde, como prêmio pelas boas ações praticadas, frequentávamos matinés no Cine Imperial. Com ansiedade, aguardávamos o início do filme, geralmente de mocinhos e bandidos, de soldados americanos e índios. No auge da apresentação, batíamos os pés no assoalho do cinema gerando muito pó e emoção.

Recordo-me ainda dos comícios assistidos com meu pai, um getulista e PTB fervoroso, jamais fanático. Geralmente perdíamos eleições para o PSD, PL ou UDN. Daqueles eventos e das derrotas, aprendi a nobre lição paterna: não temos o direito de trocar familiares e amigos por desavenças políticas. Dizia ele que, enquanto os afins brigavam, os políticos faziam conchavos e legislavam em causa própria. Hoje, analisando o contexto brasileiro, verifico que o que mudou foi a perda da simplicidade e da segurança. Os políticos seguem cometendo os mesmos erros e aprimorando as falcatruas. Para o bem do Brasil, alimento a esperança de que os eleitos sejam diferentes, cumpram promessas e ajam com correção.