Direita, VOLVER!

O comandante quer carta branca para prender sem ordem judicial, torturar e assassinar?

(Valdo Barcelos)
Todo aquele que quer realmente seguir em frente e de cabeça erguida precisa acertar as contas com seu passado. Isso serve tanto para cada pessoa quanto para qualquer sociedade decente e em qualquer época. Curiosamente, no Brasil, temos mania de fugir dessa exigência que não é apenas suficiente, mas, também, necessária. Ao não fazermos esse acerto de contas corremos o risco de viver sob o perigo de retrocessos e de retornos a períodos de triste lembrança.
Recentemente o general Villas Bôas, Comandante do Exército Brasileiro, ao se referir à recente intervenção militar no Rio, saiu-se com a seguinte pérola: “Os militares precisam ter garantias de que não verão surgir uma nova Comissão da Verdade”. Ora, como sabemos, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi uma conquista dos setores democráticos após longo período de luta pela sua implementação. O que o comandante do Exército quer? Uma carta branca para prender sem ordem judicial, torturar pessoas, assassinar pessoas, promover o desaparecimento de pessoas? Um general, com sua formação profissional, tem informações técnicas suficientes para saber que não pode sair por aí dizendo certas impropriedades/imbecilidades. Além do que, deve se curvar ao seu comandante maior – o dito Comandante em Chefe – o presidente da república.
Outro militar, o general Antonio Hamilton Mourão, ao passar para a reserva fez rasgados elogios – chamando até de “herói” – o coronel torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. O Cel. Ustra comandou o Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI) um dos principais órgãos de repressão da Ditadura Militar. O Cel. Ustra foi o primeiro torturador reconhecido oficialmente pela Justiça. Esses dois generais parece que se esqueceram de algo que qualquer recruta aprende nas primeiras semanas: que as Forças Armadas se assentam em dois pilares: disciplina e hierarquia. Senhor Michel Temer, comandante em chefe das Forças Armadas, o senhor não tem alternativa a não ser punir disciplinar e exemplarmente esses dois funcionários públicos. Basta seguir o regulamento. Simples assim.