Vereadores desistem do 13º

Vereadores desistem do 13º

Santiago – Depois da reportagem do Expresso e de muita polêmica pelas redes sociais, os vereadores desistiram da “gratificação natalina”, popularmente conhecida como 13º salário. Levando em conta que cada um ganha em torno de 6 mil mensais, o impacto financeiro em dezembro seria acima de 150 mil reais só em salários. O presidente Décio Loureiro (PP) desabafou e chamou de “oportunistas” os que criticaram a alteração no regimento interno, no qual se aceitaria o 13º.

Matéria revisada e aprovada por todos
Décio Loureiro (PP) destacou que desde 2005 o prefeito, vice e secretários já recebem a “gratificação natalina, assim como a maioria das câmaras da região, matéria essa aprovada pelo Supremo Tribunal. Disse ainda que tal medida inclusa no regimento não foi de autoria exclusiva do presidente, mas revisada e aprovada por todos. “O fato de colocarmos no regimento não significa que iríamos receber tal benefício, pois é preciso reconhecer o atual momento do país”, disse Loureiro, justificando a decisão de não receber o 13º.

Vereadores desistem do 13º

Ex-vereadora Iara Castiel.

Ex-vereadora critica
Na semana passada a ex-vereadora Iara Castiel, PT, manifestou estranheza pela forma quase clandestina com que foi instituído o 13º salário. Iara Castiel e Sérgio Marion, que exerceram mandato na legislatura passada, frisam que debateram e votaram contra essa proposta. “Agora, estranhamente, essa ‘mudança regimental’ foi aprovada em tempo recorde”, diz Castiel.

Avalanche pelas redes
Centenas de santiaguenses criticaram a medida de possível pagamento do 13º, caso do servidor público João Manoel Amaral. “A Copa acaba envolvendo a população, período em que os políticos aproveitam para votar e aprovar projetos que lhe beneficiam. Lá em Brasília sempre foi assim, mas não esperava que aqui na Terra dos Poetas os ‘edis’ aproveitassem para aprovar o 13º em benefício próprio”, disse.

Vereadores desistem do 13º

João Manoel.

Descaso com a comunidade
Amaral prossegue: “Vejo vereadores contra o esporte, educação e cultura, para não onerar os cofres. Mas esse projeto do 13° mostra o descaso com a comunidade. Teriam que fazer um projeto para mudar o horário das sessões que ocorre nas segundas à tarde, quando a maioria das pessoas estão trabalhando e não podem ir assistir”, desabafou.

Clairton queria doar…
O vereador Clairton Pivoto (PSDB) foi um dos poucos a abordar a polêmica durante a semana. Disse que votou pela tramitação da matéria para discussão, depois acabou se afastando por problemas de saúde e não acompanhou, mas que se tivesse que receber o 13º, abriria mão em nome de alguma instituição. Ele entende que tal medida deveria ser votada para valer em outra legislatura e não para a de agora. No final, Clairton acabou aplaudido pela população e levando muitas críticas dos colegas de Câmara, a exemplo do vereador Gildo Fortes (PP).

Vereadores desistem do 13º

Clairton Pivoto, Eva Müller e Pelé.

…a exemplo de Eva Müller
Eva Müller (MDB) lembrou que o local de discussão do assunto é na Câmara, não em redes sociais, onde é ofendida todos os dias, cansando de fazer registro policial. “Votei a favor do regimento onde consta o 13º, mas se viesse a recebê-lo, faria doação para as causas nas quais acredito”, explicou.

Pelé é favorável
O vereador Pelé (PP) observou que joga aberto e que se fosse para receber o 13º, ele seria a favor, pois todas as outras câmaras recebem. “Hoje decidiram que não vão receber, concordo, mas deixo claro; quando a Câmara ajuda a comunidade, ninguém fala nada”, queixou-se.